Frete de grãos dispara para o Pará e expõe gargalos na BR-163

Alta de até 50% reforça pressão por obras no principal corredor logístico entre Mato Grosso e os portos do Arco Norte

Redação

O transporte de soja e milho para os terminais portuários do Pará ficou mais caro nos últimos meses, reacendendo a pressão do setor logístico por investimentos na BR-163, principal corredor de escoamento da produção do Centro-Oeste rumo ao Arco Norte.

Segundo reportagem publicada pelo Globo Rural, o frete até Santarém subiu entre 30% e 50% em julho, enquanto o valor médio das viagens para Miritituba alcançou R$ 310 por tonelada, de acordo com levantamento da Frete.com.

A combinação entre o aumento da demanda durante o pico da safra e os gargalos de infraestrutura da BR-163 tem reduzido a eficiência do transporte rodoviário e elevado os custos logísticos. A limitação na oferta de caminhões de maior capacidade, responsáveis por cerca de 98% das cargas destinadas a Miritituba e Santarém, também contribui para manter o frete em patamares elevados.

Principal ligação entre as regiões produtoras de Mato Grosso e os terminais portuários de Miritituba (PA), a BR-163 consolidou-se como um dos corredores estratégicos das exportações brasileiras após a pavimentação do trecho paraense, concluída em 2019. A rota permite que a produção siga por hidrovia até os portos do Arco Norte, reduzindo distâncias em relação aos embarques realizados pelos portos do Sul e Sudeste.

Apesar dos avanços, o corredor continua enfrentando gargalos operacionais, especialmente no trecho entre Santarém e Rurópolis. Ainda segundo a reportagem publicada no Globo Rural, representantes do setor afirmam que cerca de 170 dos 218 quilômetros do segmento apresentam problemas de conservação, aumentando o tempo de viagem, os custos operacionais e os riscos para o transporte de cargas.

Em resposta às cobranças, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informou que já iniciou obras emergenciais em três lotes da rodovia, incluindo reconstrução da base, recuperação do pavimento e aplicação de microrrevestimento. As obras estruturais, entretanto, ainda não têm data definida para começar.

O cenário também reforça um debate mais amplo sobre a necessidade de ampliar a capacidade logística do corredor de exportação do Centro-Oeste. Além das intervenções na BR-163, projetos estruturantes como a Ferrogrão — planejada para ligar Sinop (MT) a Miritituba (PA) — seguem apontados pelo setor como alternativas para reduzir a dependência do transporte rodoviário e aumentar a competitividade das exportações brasileiras.

Enquanto o projeto permanece em discussão, o avanço da produção agrícola indica que investimentos em diferentes modais serão fundamentais para evitar que a infraestrutura se torne um entrave ao crescimento do agronegócio.

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