A digitalização das operações marítimas acelerou a adoção de sistemas de conectividade via satélite por armadores, empresas offshore e operadores portuários. Além de garantir comunicação em alto-mar, essas tecnologias passaram a desempenhar papel estratégico na gestão das embarcações, permitindo monitoramento em tempo real, manutenção preditiva, otimização do consumo de combustível e maior segurança operacional.
O avanço ganha ritmo com o crescimento da atividade portuária brasileira. Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) mostram que o setor aquaviário movimentou 1,4 bilhão de toneladas de cargas em 2025, alta de 6,1% em relação ao ano anterior e novo recorde histórico. A cabotagem respondeu por 303,7 milhões de toneladas, enquanto a movimentação de contêineres alcançou 15,3 milhões de TEUs, crescimento de 10,2%. O aumento do volume transportado amplia a demanda por sistemas capazes de garantir comunicações contínuas, monitoramento remoto e maior eficiência das operações.
Conectividade como ferramenta de gestão
Essa tendência é global. Em março deste ano, a Organização Marítima Internacional (IMO) aprovou sua Estratégia de Digitalização Marítima, que estabelece diretrizes para ampliar a interoperabilidade de sistemas, o compartilhamento de dados, a automação e a cibersegurança das operações portuárias e marítimas.
Também cresce o mercado de comunicações por satélites de baixa órbita (LEO). Segundo estimativa da Gartner, os gastos globais com esses serviços deverão atingir US$ 14,8 bilhões em 2026, avanço de 24,5% em relação ao ano anterior, impulsionados principalmente pelos setores de navegação, aviação e Internet das Coisas (IoT).
Um exemplo é a Globalsat Group. A empresa ampliou seu ecossistema de parceiros internacionais para oferecer soluções de conectividade marítima nas Américas. O portfólio reúne tecnologias de empresas como Iridium, Intellian e Lars Thrane Technology, voltadas a embarcações comerciais, plataformas offshore, operações pesqueiras, navios de apoio e missões de defesa.
Para Flávio Franklin, diretor da Globalsat Brasil, a conectividade deixou de ser apenas um recurso de comunicação para assumir papel estratégico na gestão das operações. “O setor marítimo vive uma transformação impulsionada pela digitalização e pela necessidade crescente de operações mais conectadas, inteligentes e resilientes”, afirma.
Segurança e eficiência
Entre as soluções disponíveis está o Iridium Certus GMDSS, aprovado para o Sistema Global de Socorro e Segurança Marítima (GMDSS). O equipamento reúne, em um único terminal, serviços como chamadas de emergência, alertas de socorro, rastreamento de longo alcance (LRIT), Sistema de Alerta de Segurança de Navios (SSAS), telefonia e transmissão de dados, utilizando uma constelação global de satélites em órbita baixa para manter cobertura inclusive em áreas oceânicas remotas e regiões polares.
Além da segurança, a conectividade passou a desempenhar papel importante na gestão das embarcações. Informações geradas por motores, sensores e demais equipamentos de bordo podem ser transmitidas continuamente para centros de controle em terra, permitindo acompanhar o desempenho da frota, antecipar falhas mecânicas, programar manutenções e reduzir o consumo de combustível.
A evolução das redes híbridas e multiórbita deve acelerar ainda mais a transformação digital da navegação. A combinação entre satélites em órbita baixa, redes terrestres e aplicações de Internet das Coisas reduz a latência, aumenta a disponibilidade das comunicações e garante maior continuidade operacional em regiões sem cobertura convencional.
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