Brasil entra na corrida global por US$ 7 bilhões em projetos de SAF

ApexBrasil leva investidores de cinco países à Fenasucro & Agrocana em meio ao avanço do marco regulatório e ao interesse internacional pela bioenergia brasileira

Redação

A Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA), anunciou projeções de lucratividade mais otimistas para as companhias aéreas em 2024 em comparação com suas previsões de junho e dezembro de 2023.

O Brasil busca consolidar sua posição como um dos principais polos mundiais de produção de combustível sustentável de aviação (SAF). Impulsionado pela abundância de biomassa, pela liderança na produção de etanol e pelo novo marco regulatório para combustíveis de baixo carbono, o país intensifica a atração de investidores internacionais para projetos voltados à descarbonização da aviação.

Nesse contexto, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) trará, pela primeira vez, uma comitiva de investidores internacionais dedicada exclusivamente ao segmento de SAF e e-SAF durante a 32ª Fenasucro & Agrocana, que será realizada entre 11 e 14 de agosto, em Sertãozinho (SP). As oportunidades apresentadas representam um potencial estimado de US$ 7 bilhões em investimentos, principalmente para implantação de biorrefinarias, com horizonte de maturação entre três e cinco anos.

A delegação reunirá cerca de 40 participantes, entre investidores, instituições financeiras, representantes governamentais e empresas da França, Austrália, Japão, China e Estados Unidos interessadas em avaliar oportunidades na cadeia brasileira da bioenergia.

Mercado global acelera

O interesse ocorre em um momento de forte expansão do mercado de SAF. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) avalia que o Brasil reúne condições para se tornar uma potência mundial na produção desse combustível graças à disponibilidade de biomassa, à experiência consolidada na produção de etanol e à infraestrutura já instalada para biocombustíveis.

Segundo a entidade, o país possui cerca de 15 projetos de SAF em diferentes estágios de desenvolvimento e, se todos forem implementados, poderão adicionar aproximadamente 2 milhões de toneladas de capacidade produtiva.

A IATA também estima que o Brasil poderá produzir até 12 milhões de toneladas de SAF por ano até 2030, volume equivalente a aproximadamente cinco vezes a produção mundial estimada para 2026, reforçando o potencial do país para abastecer tanto o mercado interno quanto exportações.

Marco regulatório

O ambiente de negócios também passou a ser mais favorável após a sanção da Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024), que criou o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV). A legislação estabelece as bases para a introdução gradual do SAF na matriz energética brasileira e é considerada um dos principais instrumentos para destravar investimentos no setor.

Para Guilherme Machado, especialista de investimentos da ApexBrasil, a missão internacional representa um novo passo na estratégia de promoção da bioenergia brasileira. “Esta será a primeira vez que a ApexBrasil trará ao país uma agenda técnica especializada com potenciais investidores, utilizando a Fenasucro & Agrocana como plataforma para apresentar oportunidades em SAF e e-SAF.”

Feira amplia papel como plataforma de investimentos

Além de rodadas de negócios, a programação inclui o painel “Why Brazil’s SAF market may be closer than you think”, reunindo representantes do Ministério de Minas e Energia (MME), Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Agência Nacional do Petróleo (ANP), Finep, BNDES, MDIC e ApexBrasil para discutir políticas públicas, financiamento e oportunidades para novos empreendimentos.

Nos dias seguintes, a comitiva visitará usinas de etanol, centros tecnológicos e laboratórios da região de Ribeirão Preto para conhecer a infraestrutura da cadeia sucroenergética e o potencial brasileiro para produção de combustíveis avançados.

Bioenergia na aviação

A busca por SAF tornou-se um dos principais pilares da descarbonização da aviação mundial, segmento em que a eletrificação ainda enfrenta limitações tecnológicas para voos de média e longa distância. Enquanto companhias aéreas ampliam compromissos de redução de emissões, governos e investidores aceleram projetos para ampliar a oferta global do combustível.

O Brasil reúne vantagens competitivas importantes ao combinar ampla disponibilidade de matérias-primas renováveis, experiência de quase cinco décadas com biocombustíveis e uma cadeia sucroenergética consolidada.

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