O aumento do custo operacional do transporte rodoviário de cargas começa a influenciar não apenas a gestão das transportadoras, mas também as decisões de investimento dos caminhoneiros autônomos. Com o diesel respondendo por cerca de 35% dos custos da operação, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), equipamentos voltados à eficiência energética passaram a ganhar espaço entre motoristas que buscam reduzir despesas ao longo da vida útil do veículo.
Fabricantes de sistemas de climatização para caminhões relatam uma mudança no perfil da demanda. Se antes o preço era o principal critério de compra, agora consumo de energia, durabilidade e custos de manutenção passaram a ter maior peso na decisão.
É o que observa a Resfri Ar, fabricante gaúcha de equipamentos de climatização e refrigeração para veículos pesados, sediada em Vacaria (RS). Segundo o CEO da empresa, Thiago Castilhos, os caminhoneiros passaram a avaliar o retorno financeiro proporcionado pelos equipamentos.
“O caminhoneiro brasileiro está mais criterioso e analisa mais o custo-benefício na hora da compra. Os nossos equipamentos são elétricos, completamente desvinculados do motor. O grande ganho em consumo vem justamente da possibilidade de manter o ar-condicionado ligado com o motor do caminhão desligado”, afirma.
Segundo o executivo, a solução reduz a necessidade de manter o motor em funcionamento durante períodos de espera para carga e descarga, contribuindo para diminuir o consumo de combustível e o desgaste mecânico.
Eficiência ganha importância
Além do diesel, o aumento dos custos de manutenção e a pressão sobre a rentabilidade têm levado caminhoneiros autônomos a considerar o custo total de operação na escolha de equipamentos auxiliares.
De acordo com estimativas do setor, sistemas de ar-condicionado com manutenção inadequada ou baixa eficiência podem elevar o consumo de combustível em até 15%, embora o percentual varie conforme as condições de uso, o estado do equipamento e o tipo de operação.
Nesse cenário, fabricantes passaram a incorporar tecnologias voltadas à redução do consumo elétrico e ao aumento da autonomia dos sistemas de climatização. Entre elas estão compressores com tecnologia Inverter, capazes de ajustar automaticamente a potência de funcionamento de acordo com a necessidade de resfriamento.
Segundo Castilhos, o objetivo é reduzir o consumo de energia das baterias e ampliar o tempo de funcionamento do equipamento durante as paradas. “O Série 3 foi desenvolvido para o contexto real da estrada brasileira: calor extremo, viagens longas e um motorista que não pode se dar ao luxo de parar para manutenção com frequência.”
Decisão econômica
A mudança também alcança outros equipamentos utilizados pelos caminhoneiros, como geladeiras automotivas, que permitem o transporte de alimentos durante viagens de longa distância e reduzem os gastos com refeições em restaurantes de estrada.
Segundo a CNT, aproximadamente 70% dos cerca de 1,5 milhão de caminhoneiros em atividade no Brasil são autônomos. Para esse público, investimentos em equipamentos capazes de reduzir despesas operacionais passaram a ser avaliados pelo retorno financeiro ao longo do tempo, e não apenas pelo preço de aquisição.
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