A dificuldade para contratar motoristas de carreta experientes está levando transportadoras e entidades do setor a assumir uma função que tradicionalmente cabia ao mercado: formar os próprios profissionais necessários para as operações.
No Paraná, o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar) e a TIC Transportes desenvolveram um programa voltado à formação de novos motoristas carreteiros, direcionado a profissionais já habilitados na categoria E, mas sem experiência prática na condução de veículos articulados.
A iniciativa recebeu mais de 150 inscrições e combinou recrutamento, seleção e treinamento em um único processo, incluindo triagem curricular, entrevistas, avaliação comportamental, capacitação teórica e cinco dias de treinamento prático.
Gargalo da boleia pesada
Embora milhares de motoristas obtenham anualmente a habilitação necessária para operar carretas, a ausência de experiência prática continua sendo um dos principais obstáculos para a contratação. O resultado é um círculo vicioso conhecido pelo setor: as empresas exigem experiência operacional, enquanto poucos operadores estão dispostos a assumir os custos e os riscos associados à formação prática dos profissionais.
Segundo Leonardo Pontes, responsável pelo recrutamento e seleção do Setcepar, o projeto buscou justamente romper essa barreira. “Como o objetivo do projeto era formar novos motoristas carreteiros, o foco da seleção foi identificar profissionais com potencial de desenvolvimento, e não apenas experiência na função”, afirma. Entre os critérios considerados estiveram responsabilidade, comprometimento, disciplina e capacidade de seguir procedimentos operacionais e normas de segurança.
A capacitação técnica foi conduzida pelo instrutor do Setcepar Claudio Ferreira e incluiu temas como direção econômica, condução segura, utilização correta do freio motor, respeito aos limites de velocidade e manobras com conjuntos articulados.
“A estrutura foi focada no desenvolvimento de competências operacionais, visando sempre a segurança e a produtividade dos alunos com qualidade e eficiência”, afirma Ferreira. Segundo o instrutor, as principais dificuldades observadas durante o treinamento envolveram justamente as manobras com cavalo mecânico e carreta, além da utilização correta dos sistemas auxiliares dos veículos. “A avaliação considera a competência do aluno para conduzir o conjunto cavalo-carreta com segurança, eficiência e em conformidade com a legislação e os procedimentos da empresa”, explica.
O movimento observado no Paraná acompanha iniciativas semelhantes adotadas pelo Sest Senat e por grandes operadores logísticos para acelerar a formação de profissionais e reduzir a dependência do mercado tradicional de recrutamento.
Para Vivian Nunes, gerente de Recursos Humanos do Setcepar, o diferencial da iniciativa foi acompanhar o profissional desde o processo seletivo até a contratação pelas empresas participantes. “O sindicato não atuou apenas na captação e seleção dos candidatos, mas acompanhou a jornada até a contratação”, afirma.
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