O mercado brasileiro de veículos comerciais leves totalmente elétricos entrou em uma nova fase de crescimento em 2026, impulsionado pela expansão das operações de distribuição urbana, e-commerce e logística de última milha.
Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostram que os emplacamentos do segmento cresceram 41,1% no primeiro semestre na comparação com o mesmo período do ano passado. Apenas em junho, a alta foi de 40,5% sobre maio e de 184,6% em relação ao mesmo mês de 2025, desempenho muito superior ao observado no mercado automotivo como um todo.
O avanço sugere uma mudança de perfil da eletrificação no transporte comercial brasileiro. Se nos primeiros anos a adoção esteve concentrada em grandes empresas interessadas em metas de descarbonização e compromissos ESG, o movimento começa a alcançar pequenas e médias empresas em busca de redução do custo operacional e menor dependência do diesel.
Última milha puxa demanda
A maior parte da expansão ocorre em operações urbanas previsíveis e de menor quilometragem diária, cenário considerado ideal para a adoção de veículos elétricos devido ao menor custo energético e à redução das despesas de manutenção. Assim, vans elétricas passaram a concentrar grande parte dos investimentos de operadores logísticos, varejistas e empresas de distribuição urbana.
Foi nesse contexto que a Farizon, representada no Brasil pelo Grupo Timber, encerrou o primeiro semestre na liderança do segmento de comerciais leves elétricos, com participação de mercado de 28,1%, enquanto a Riddara alcançou a terceira colocação, com 14,4%. Juntas, as duas marcas responderam por aproximadamente 42,5% dos emplacamentos do segmento no período.
Segundo Rodrigo Pikussa, diretor executivo da Unidade de Veículos Elétricos do Grupo Timber, o perfil dos compradores mudou nos últimos anos. “Se nos primeiros anos da eletrificação os veículos eram adotados principalmente por grandes corporações em função de metas de sustentabilidade, hoje cresce a participação de pequenas e médias empresas que enxergam na eletrificação uma oportunidade de reduzir custos operacionais e aumentar a competitividade de suas operações logísticas”, afirma.
Fase de escala
O crescimento das marcas chinesas acompanha um movimento mais amplo de expansão dos veículos eletrificados no Brasil, um dos segmentos de maior crescimento da indústria automotiva nacional nos últimos anos.
Para operadores logísticos, a combinação entre menor custo por quilômetro rodado, menor necessidade de manutenção e restrições ambientais crescentes nos grandes centros urbanos tende a acelerar a adoção dos modelos elétricos em operações urbanas e regionais.
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