A estabilidade dos preços do diesel ao longo de julho trouxe um alívio momentâneo para as transportadoras brasileiras, após um primeiro semestre marcado por forte volatilidade dos custos operacionais e incertezas relacionadas ao mercado internacional de energia.
Embora a Petrobras tenha reduzido em R$ 0,35 por litro o preço do diesel vendido às distribuidoras, o fim simultâneo do subsídio federal de igual valor neutralizou os efeitos da medida para consumidores e empresas, mantendo praticamente inalterado o preço final do combustível.
O movimento interrompe uma sequência de oscilações observada entre janeiro e maio, período impactado pela escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio, pelas variações do petróleo e pelos ajustes na política doméstica de combustíveis.
Menor volatilidade
Para o Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (Setcesp), a acomodação dos preços reduz, ao menos temporariamente, a imprevisibilidade sobre um dos principais componentes do custo operacional do transporte rodoviário de cargas.
Segundo estimativas do setor, o diesel representa cerca de 35% dos custos totais de uma operação de transporte, tornando qualquer variação no combustível um fator com impacto direto sobre a rentabilidade das empresas e sobre o valor do frete.
“O transporte passou a operar com margens mais sensíveis e ciclos de alta e baixa cada vez mais curtos. Monitorar o comportamento do diesel tornou-se parte da rotina de gestão das empresas”, afirma Marcelo Rodrigues, presidente do Setcesp.
Novo modelo de precificação
Desde o abandono da política de Preço de Paridade de Importação (PPI), em 2023, a Petrobras deixou de seguir automaticamente as oscilações do mercado internacional na definição dos reajustes dos combustíveis.
Na avaliação do Setcesp, a mudança ampliou o peso das decisões internas na formação dos preços e reduziu a previsibilidade para o planejamento financeiro das transportadoras, que passaram a conviver com ciclos de reajustes mais difíceis de antecipar.
Segundo semestre no radar
Apesar do cenário mais favorável em julho, o setor mantém atenção voltada para fatores que podem voltar a pressionar os custos logísticos nos próximos meses. Entre os principais pontos monitorados estão a ampliação da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel fóssil, que poderá alterar a estrutura de custos do combustível, além dos desdobramentos da reforma tributária e de eventuais ajustes fiscais com potencial impacto sobre a cadeia de transporte e logística.
Para as transportadoras, a manutenção da estabilidade do diesel continuará sendo um dos principais determinantes para a recuperação das margens em um ano ainda marcado por demanda moderada e elevada pressão sobre os custos operacionais.
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