Diesel continua acima do pré-crise e mantém pressão sobre transportadoras

Levantamento da TruckPag mostra que preço do combustível segue 15,6% acima do registrado antes da escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã

Redação

Embora a redução das tensões entre Estados Unidos e Irã tenha aliviado a pressão sobre o mercado internacional de petróleo, os efeitos da crise ainda permanecem no caixa das transportadoras brasileiras.

Levantamento da TruckPag aponta que o preço médio do diesel S-10 no país está em R$ 6,64 por litro, valor 15,6% superior ao registrado em 28 de fevereiro, antes da escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio. O cenário indica que os custos operacionais das empresas de transporte permanecem significativamente acima dos níveis anteriores ao conflito.

Image: Truckpad

Os dados mostram que a alta ocorreu de forma acelerada ao longo de março. Entre a primeira semana daquele mês e o início de abril, o preço médio nacional do combustível saltou de R$ 5,93 para R$ 7,39 por litro, avanço de aproximadamente 24,6% em apenas um mês.

O pico foi registrado em 5 de abril, quando o diesel atingiu R$ 7,43 por litro. Desde então, o mercado iniciou uma trajetória gradual de acomodação, mas os preços permanecem cerca de 10,6% abaixo apenas da máxima observada durante a crise, sem retornar aos patamares anteriores ao conflito.

“Mesmo com a redução das tensões geopolíticas, o mercado de combustíveis não costuma responder de forma imediata aos movimentos internacionais. Existe um intervalo até que as oscilações do petróleo sejam absorvidas ao longo da cadeia de distribuição”, afirma Kassio Seefeld, CEO e fundador da TruckPag.

Segundo o executivo, a defasagem entre a queda do petróleo e o recuo efetivo do diesel exige das transportadoras estratégias mais conservadoras de abastecimento e maior previsibilidade financeira.

Margens sob pressão

O impacto sobre a rentabilidade das operações continua relevante, especialmente porque os reajustes do combustível nem sempre são repassados ao frete na mesma velocidade. “Quando o combustível sobe nessa velocidade, as empresas têm dificuldade para absorver os custos e repassar os reajustes ao frete na mesma proporção. Isso gera pressão imediata sobre as margens e exige um acompanhamento ainda mais próximo dos gastos operacionais”, afirma Seefeld.

De acordo com a TruckPag, uma transportadora com consumo médio de 100 mil litros de diesel por mês desembolsa atualmente cerca de R$ 71 mil a mais do que gastava antes do início da escalada dos preços do petróleo.

Nordeste registra maiores altas

A análise regional aponta impactos mais intensos no Nordeste. Piauí, Bahia, Pernambuco, Maranhão e Ceará registraram os maiores aumentos desde fevereiro, todos superiores a R$ 1 por litro. O avanço dos preços eleva os custos logísticos na região e amplia a necessidade de planejamento de abastecimento, gestão de rotas e negociação antecipada com fornecedores.

Mesmo nos estados do Sul e Sudeste, onde a alta foi mais moderada, o diesel continua operando acima dos níveis observados antes da crise geopolítica.

“Hoje, uma transportadora com consumo médio de 100 mil litros de diesel por mês desembolsa cerca de R$ 71 mil a mais do que em fevereiro. Esse é o dado que realmente importa para o setor. O mercado está mais estável, mas os custos ainda não retornaram ao patamar anterior ao conflito, e isso continua afetando a rentabilidade das operações”, conclui o executivo.

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