O governo federal deverá priorizar a atracação e o desembarque de navios carregados com fertilizantes minerais nos portos brasileiros, em uma tentativa de reduzir riscos de desabastecimento e atrasos no fornecimento de insumos ao agronegócio. A informação foi divulgada inicialmente pelo Globo Rural e posteriormente confirmada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
A medida ocorre em meio ao aumento das incertezas logísticas no comércio internacional de fertilizantes, agravadas pelas tensões no Oriente Médio, região estratégica para a produção e exportação de matérias-primas utilizadas pela agricultura brasileira.
O tema foi discutido em reunião entre representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária e do Ministério de Portos e Aeroportos, que avaliaram alternativas operacionais para acelerar a movimentação desses produtos nos portos organizados do país.
Segundo o Mapa, a orientação poderá contemplar embarcações transportando fertilizantes nitrogenados, fosfatados e cloreto de potássio, principais insumos utilizados pela produção agrícola nacional.
Importação
O Brasil importa aproximadamente 93% dos fertilizantes consumidos internamente, o que torna a logística portuária um dos principais pontos de atenção para o abastecimento do setor agrícola. Em 2025, as importações brasileiras do insumo atingiram o recorde de 45,5 milhões de toneladas.
O Porto de Paranaguá (PR) permanece como a principal porta de entrada desses produtos no país, com cerca de 10,2 milhões de toneladas desembarcadas entre janeiro e novembro de 2025. O chamado Arco Norte, liderado pelo Porto de Itaqui (MA), já é a segunda principal rota de internalização dos fertilizantes, com aproximadamente 7,6 milhões de toneladas, enquanto os terminais do Porto de Santos (SP) movimentaram cerca de 7,5 milhões de toneladas no período. O Porto de Rio Grande (RS) também figura entre os principais corredores logísticos para esses produtos, especialmente para o abastecimento da Região Sul.
A dependência das importações e a concentração da entrada desses produtos em poucos corredores logísticos aumentam a preocupação do setor diante das tensões no Oriente Médio, especialmente devido à importância da região para a produção global de ureia e fertilizantes nitrogenados e ao papel estratégico do Estreito de Ormuz para o comércio marítimo internacional desses produtos.
Embora a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) ainda não tenha se manifestado oficialmente sobre a decisão do governo, representantes do setor vêm alertando para os riscos de atrasos, aumento dos custos de frete marítimo e elevação dos prêmios de seguro caso as tensões geopolíticas afetem rotas comerciais e a disponibilidade global de fertilizantes.
De acordo com o ministério, a demanda pela priorização já foi formalmente encaminhada ao setor portuário e poderá resultar em orientações às autoridades portuárias e administrações dos portos organizados para conferir preferência operacional às embarcações que transportam fertilizantes.
O governo ressaltou, entretanto, que a eventual priorização terá caráter exclusivamente administrativo e não implicará flexibilização dos procedimentos sanitários, fitossanitários, aduaneiros ou de controle de qualidade aplicados às cargas importadas.
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