Descartes adquire Drivin e reforça disputa por dados da última milha na América Latina

Aquisição de US$ 30 milhões amplia presença regional da empresa canadense e reforça importância estratégica dos dados logísticos para o avanço da IA

Redação

A corrida global por dados e inteligência operacional para entregas urbanas chegou à América Latina. A canadense Descartes Systems Group anunciou a aquisição da chilena Drivin, especializada em tecnologia para gestão de entregas de última milha, em uma operação avaliada em aproximadamente US$ 30 milhões.

Ao incorporar a plataforma de roteirização e monitoramento de entregas, Descartes passa a ter acesso a um volume significativo de dados gerados em operações reais de distribuição urbana em cidades latino-americanas — informações consideradas cada vez mais valiosas para o treinamento de modelos de inteligência artificial voltados ao planejamento de rotas, previsão de demanda e otimização das operações logísticas.

A valorização desses dados transformou a última milha em um dos segmentos mais disputados do mercado global de tecnologia logística, especialmente em regiões marcadas por congestionamentos, restrições de circulação e elevada complexidade operacional, como os grandes centros urbanos da América Latina.

Consolidação das logtechs

A operação também reflete um movimento mais amplo de consolidação do mercado de tecnologia logística, à medida que grandes fornecedores globais ampliam suas capacidades em inteligência artificial e automação para distribuição urbana.

Fundada em Santiago, a Drivin desenvolve soluções de roteirização, despacho e monitoramento de entregas em tempo real utilizadas por distribuidores, varejistas, indústrias de bens de consumo e operadores logísticos. A empresa opera em 26 países e mantém escritórios próprios no Brasil, Chile, México, Peru, Colômbia e Equador.

Até recentemente, plataformas de última milha eram avaliadas principalmente pela capacidade de otimizar rotas e reduzir custos de transporte. O avanço da IA passou a atribuir valor adicional ao histórico operacional acumulado por essas empresas.

Dados relacionados a tempos de entrega, comportamento do trânsito, janelas de atendimento, produtividade dos veículos e padrões de consumo passaram a alimentar modelos preditivos capazes de aumentar a eficiência das operações e melhorar os níveis de serviço ao cliente final. Nesse contexto, empresas com grande volume de operações executadas em ambientes urbanos complexos passaram a se tornar ativos estratégicos para fornecedores globais de tecnologia logística.

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