O aumento dos acidentes envolvendo cargas perigosas tem ampliado a preocupação de transportadoras, embarcadores e seguradoras no Brasil. Levantamento das gerenciadoras BRK, Buonny e Opentech aponta crescimento de 4,7% nas ocorrências com transporte de cargas em 2025 na comparação com o ano anterior, cenário que acende um alerta especialmente para operações com combustíveis, produtos químicos e materiais inflamáveis.
Além dos impactos operacionais, os acidentes ampliam a exposição financeira e jurídica das empresas. Vazamentos, explosões e contaminações ambientais podem gerar prejuízos milionários, paralisações logísticas e responsabilizações civis e criminais.
O levantamento feito indica que parte das operações ainda trabalha com estruturas defasadas de gestão de risco, treinamento e cobertura securitária, mesmo diante do aumento da fiscalização e da complexidade regulatória do segmento.
“Quando falamos em carga perigosa, qualquer falha operacional ganha uma dimensão muito maior. Um erro simples pode comprometer vidas, gerar impactos ambientais severos e causar prejuízos milionários para a empresa”, afirma João Paulo Barbosa, especialista em gestão de risco e sócio-diretor da Mundo Seguro.
O tema ganhou novo peso regulatório após o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) eliminar o prazo geral de validade do Curso de Movimentação Operacional de Produtos Perigosos (MOPP), exigido para motoristas que atuam nesse tipo de transporte. Embora a mudança tenha simplificado parte das exigências burocráticas, especialistas alertam que ela aumenta a responsabilidade das empresas sobre a atualização contínua das equipes.
“Muitas empresas acreditam que apenas cumprir uma exigência documental resolve o problema, mas gestão de risco exige revisão de processos, treinamento contínuo e monitoramento permanente da operação”, diz Barbosa.
Pressão financeira
O avanço dos acidentes também tem pressionado os custos do setor logístico, principalmente em seguros e gerenciamento de risco. Dependendo da gravidade da ocorrência, os impactos vão além da perda da carga e podem comprometer contratos e a reputação da operação. “Dependendo da ocorrência, a empresa pode enfrentar paralisações operacionais, quebra de contratos, danos reputacionais e aumento significativo dos custos logísticos”, afirma o executivo.
Segundo ele, muitas empresas ainda operam com apólices incompatíveis com o nível real de exposição das operações envolvendo produtos perigosos. “O prejuízo de um único acidente pode comprometer anos de construção financeira e reputacional da empresa. Revisar seguros e estruturar corretamente a gestão de risco deixou de ser custo e passou a ser proteção estratégica”, conclui Barbosa.
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