Diesel russo domina importações brasileiras após crise no Oriente Médio

Participação da Rússia supera 89% em abril enquanto governo amplia subsídios e cortes tributários

Redação

A guerra no Oriente Médio acelerou uma mudança relevante no mercado brasileiro de combustíveis e ampliou a dependência do Brasil em relação ao diesel russo. Dados do sistema Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), mostram que a Rússia passou a dominar as importações brasileiras do combustível nos últimos meses, após a interrupção parcial do fornecimento vindo da região do Golfo.

Entre março e abril, o Brasil importou US$ 1,76 bilhão em diesel. Desse total, US$ 1,43 bilhão tiveram origem na Rússia, o equivalente a 81,25% das compras externas do produto. Os números foram divulgados pela Agência Brasil com base em dados oficiais do governo federal.

A concentração aumentou ainda mais em abril. Sozinha, a Rússia respondeu por 89,84% das importações brasileiras de diesel no mês, com vendas de US$ 924 milhões ao país. Os Estados Unidos apareceram na segunda posição, com participação próxima de 11%.

O movimento evidencia como o mercado brasileiro passou a depender mais fortemente do diesel russo desde o agravamento das tensões no Oriente Médio e da redução das cargas provenientes de países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Escalada rápida das compras

Os números mostram uma aceleração expressiva das compras brasileiras junto à Rússia ao longo do primeiro quadrimestre. Em fevereiro, o Brasil havia importado US$ 433 milhões em diesel russo. Em março, o volume subiu para US$ 505 milhões e se aproximou de US$ 1 bilhão em abril.

O avanço coincide com a forte pressão sobre os custos logísticos e sobre o preço do frete rodoviário no país, já que o diesel representa um dos principais componentes das despesas das transportadoras. Além da alta internacional do petróleo, operadores do setor acompanham os riscos associados à maior concentração geográfica do abastecimento, sobretudo em um cenário de volatilidade geopolítica e oscilações cambiais.

Governo amplia subsídios e reduz tributos

Na tentativa de conter os impactos da alta do diesel sobre consumidores e transportadores, o governo federal anunciou uma série de medidas emergenciais nos últimos meses. Entre elas estão a liberação de R$ 10 bilhões em subsídios para importação e comercialização do combustível, além da redução a zero das alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel.

Segundo o governo federal, a desoneração tributária deve reduzir o preço em cerca de R$ 0,32 por litro nas refinarias. Um novo subsídio a produtores e importadores poderia gerar redução adicional semelhante.

Em abril, a União também lançou um programa para estimular os estados a reduzirem o ICMS sobre o diesel importado. A estimativa oficial é de impacto de até R$ 1,20 por litro nas bombas, com custo de aproximadamente R$ 4 bilhões em dois meses.

O governo também anunciou subvenção adicional de R$ 0,80 por litro ao diesel produzido no Brasil, condicionando o benefício ao repasse da redução de preços ao consumidor final.

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