Azul melhora margem e reduz dívida após reestruturação, mas combustível segue pressionando setor

A Azul Linhas Aéreas iniciou 2026 exibindo sinais mais consistentes de recuperação financeira após concluir sua reestruturação de capital, mas ainda operando em um ambiente pressionado pelo combustível de aviação, juros elevados e volatilidade externa. No primeiro trimestre, a companhia registrou receita operacional de R$ 5,5 bilhões, alta de 1,4% sobre o mesmo período do […]

Redação

A Azul Linhas Aéreas iniciou 2026 exibindo sinais mais consistentes de recuperação financeira após concluir sua reestruturação de capital, mas ainda operando em um ambiente pressionado pelo combustível de aviação, juros elevados e volatilidade externa.

No primeiro trimestre, a companhia registrou receita operacional de R$ 5,5 bilhões, alta de 1,4% sobre o mesmo período do ano passado. O EBITDA avançou 22,6%, para R$ 1,7 bilhão, enquanto o lucro operacional cresceu 83,1%, alcançando R$ 1 bilhão.

Os números representam o primeiro trimestre completo após a saída do processo de reestruturação financeira conduzido sob o Chapter 11 nos Estados Unidos.

Mais do que o crescimento da receita, o resultado mostra uma mudança importante na estratégia operacional da Azul: menos foco em expansão acelerada e maior prioridade para rentabilidade, geração de caixa e preservação de margens.

A companhia reduziu sua capacidade em 2,7% no trimestre, mas elevou a taxa de ocupação para 83,8%, recorde para um primeiro trimestre. O RASK — indicador de receita por assento-quilômetro ofertado — avançou 4,3%, enquanto o CASK, métrica de custo operacional, caiu 5,7%.

Combustível segue no radar

O trimestre também foi marcado por nova pressão sobre os custos de combustível de aviação. Segundo a companhia, as tensões geopolíticas no Oriente Médio elevaram a volatilidade dos preços internacionais de energia, aumentando a pressão sobre o QAV.

Dependendo do câmbio e da cotação do petróleo, o combustível pode representar cerca de 40% dos custos operacionais de uma companhia aérea brasileira.

“Mantivemos agilidade ao ajustar nossa capacidade e preservar margens”, afirmou John Rodgerson, CEO da Azul.

Desalavancagem avança

Um dos principais focos da Azul após a reestruturação passou a ser a redução do endividamento.

A companhia encerrou o trimestre com liquidez de R$ 4,7 bilhões, praticamente o dobro do registrado um ano antes. A dívida bruta caiu R$ 14 bilhões na comparação anual, enquanto a alavancagem recuou para 2,4 vezes.

“O resultado do trimestre demonstra o sucesso da nossa reestruturação”, afirmou Rodgerson. “Hoje, a Azul está em um momento diferente: com um balanço mais forte, uma operação mais eficiente e um modelo cada vez mais diversificado.”

A diversificação das receitas também ganhou peso na estratégia da companhia. Segundo a Azul, as unidades de negócio já representam 23% do RASK.

Nos últimos anos, a empresa ampliou operações em segmentos como logística, fidelidade, turismo e transporte regional. A frente logística ganhou relevância após a transformação da Azul Cargo em Azul Logística, movimento que amplia a atuação da companhia em operações multimodais e serviços integrados.

A Azul encerrou o trimestre operando cerca de 800 voos diários para 137 destinos, mantendo a maior malha regional do país. A companhia possui aproximadamente 180 aeronaves e mais de 15 mil tripulantes.

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