Porto de Santos aposta em obras e gestão para cortar custo logístico

Com túnel Santos-Guarujá, pátios reguladores, viadutos e ampliação da área operacional, porto busca reduzir filas, ganhar fluidez e aumentar competitividade

Aline Feltrin

O Porto de Santos, responsável por cerca de 33% da corrente econômica do país, vem acelerando um conjunto de iniciativas para aumentar a eficiência operacional e reduzir gargalos logísticos. Com forte dependência do agronegócio — que responde por cerca de 80% da movimentação, segundo a administração — o porto busca ganhar fluidez para sustentar o crescimento das exportações.

“É um porto com diversidade de cargas, que vai de grãos a líquidos e sólidos, e um dos poucos do país com esse perfil”, afirmou o diretor de administração e finanças, Julio Cezar de Oliveira, em entrevista à Agência Transporte Moderno. Segundo ele, a estrutura inclui cerca de 100 quilômetros de ferrovia dentro do complexo, além de conexões diretas com regiões produtoras, como o Mato Grosso.

Um dos principais projetos em andamento é o túnel Santos-Guarujá, que deve reduzir o tempo de travessia de caminhões de até 1h10 para cerca de 1 minuto e 50 segundos. A obra já está em fase inicial, com montagem de canteiro.

“Hoje o caminhão leva quase uma hora. Com o túnel, vai fazer esse percurso em menos de dois minutos. Isso impacta diretamente o custo logístico, que está inserido no custo Brasil”, disse Oliveira. Segundo ele, estudos mais detalhados sobre a redução de custos devem ser realizados ao longo da execução da obra.

Mas a estratégia de eficiência vai além do túnel. O porto está estruturando loteamentos logísticos no entorno para funcionar como pátios reguladores de caminhões. A proposta é que os veículos permaneçam nesses espaços e só sejam liberados para acessar os terminais quando houver janela operacional disponível.

“Eles vão ficar estacionados nesses locais e só entram quando a carga estiver pronta para ser absorvida”, explicou. O modelo será apoiado por um sistema de controle inspirado no VTMIS, utilizado no tráfego marítimo, mas adaptado para organizar o fluxo terrestre.

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Melhores condições para motoristas

Além de reduzir filas e congestionamentos, os novos pátios devem melhorar as condições de trabalho dos motoristas. “Antes, o caminhoneiro ficava na rua, cozinhando e improvisando banho. Agora ele vai ter um local adequado, com mais dignidade”, afirmou.

Na frente de infraestrutura viária, o porto já entregou dois viadutos para melhorar a circulação de caminhões e facilitar o acesso aos terminais. Também houve ampliação de 56% na poligonal, aumentando a área disponível para operações e novos investimentos.

Segundo Oliveira, os ganhos já aparecem nos indicadores operacionais. Hoje, o tempo médio de embarque é inferior a 15 dias, enquanto outros portos podem levar até 45 dias. “O Porto de Santos tem uma performance comparável aos melhores do mundo. Estamos em estado da arte”, disse.

Apesar disso, o executivo reconhece que ainda há desafios de percepção. “Muitas vezes falta informação. O porto evoluiu muito, mas isso nem sempre chega ao usuário”, afirmou.

O complexo segue batendo recordes de movimentação. “Hoje, nos três primeiros meses do ano, movimentamos o que em 1993 levávamos um ano inteiro”, disse.

Projetos estruturantes, como o Tecon Santos 10, ainda enfrentam impasses regulatórios e falta de consenso entre operadores e governo. A avaliação é que o tema deve avançar após maior maturação técnica e política.

“O porto é um organismo vivo. Os problemas surgem todos os dias, e a gente trabalha diariamente para resolver”, afirmou Oliveira.

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