“Hora de o setor rever a dependência do diesel”, diz diretora da Abol

Diante dos impactos da alta do petróleo na cadeia logística, Marcella Cunha chama atenção para a necessidade de obter mais energias alternativas

colaborou, João Mathias

A principal tensão que hoje paira no setor de transporte e logística brasileiro deve ser aliviada somente com o fim da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, solução que se mostra ainda distante. Provocada pela disparada da cotação do barril de petróleo no mercado internacional nas últimas semanas, devido ao conflito bélico estar instalado no Oriente Médio, uma das regiões que mais fornecem o combustível fóssil para o mundo, a preocupação dos operadores tende a continuar enquanto o conflito não chegar a algum acordo de paz. “Não por menos, o custo do diesel equivale de 30% a 40% da operação”, afirma a diretora executiva da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (Abol), Marcella Cunha.

Presente no primeiro dia da Intermodal 2026, que ocorre de 14 a 16 de abril em São Paulo, Marcella conta que os impactos da alta do petróleo no setor de logística já foram sentidos na terceira semana após o confronto ter se iniciado no último dia de fevereiro deste ano. “Embora o governo federal venha buscando mitigar a alta dos preços, os contratos dos operadores já começaram a passar por reajustes”, diz a diretora. Algumas das medidas adotadas pelo governo são a isenção das alíquotas de PIS e COFINS, sobre a comercialização e importação do óleo diesel, e a criação de subvenção econômica para produtores e importadores de combustível.

Oportunidade para reflexão

Apesar de um cenário geopolítico ainda incerto e nebuloso para resolver os efeitos nas atividades de transporte e logística, Marcella traz uma leitura também necessária para o momento de desafios ao setor. “Pode ser uma oportunidade para o debate da dependência que se tem do diesel”, afirma. “Um convite para os modais investirem mais em combustíveis alternativos, do verde ao GNV”. Outra ressalva da diretora é a análise do sistema de multimodalidade como uma política pública para se criar um ecossistema organizado.

A executiva ainda faz uma reflexão da existência de várias iniciativas pulverizadas que podem se juntar ao Combustível do Futuro. O programa do governo federal tem como objetivo a descarbonização, a mobilidade sustentável e a transição energética no país, incluindo diesel verde, combustível sustentável para aviação e biometano. A previsão é de, até 2037, serem realizados investimentos de R$ 260 bilhões em áreas de sustentabilidade e evitar a emissão de 705 milhões de toneladas de gás carbônico.

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