O pior segmento com queda de produção e vendas continua sendo o de caminhões. Entre janeiro e abril, as vendas de veículos de carga caíram 39% ante ao mesmo período do ano passado. Já a produção sofreu queda de 45,2%. “O segmento sofre as conseqüências diretas da baixa atividade econômica: só se vende caminhão quando há o que transportar”, analisou o presidente da Anfavea.
Mesmo com a queda da produção, os estoques das montadoras e revendedoras continuam altos em razão da baixa procura pelos consumidores de veículos novos. No atual ritmo, o estoque é suficiente para abastecer o mercado por 50 dias. A indústria considera estoque adequado um volume que atenda a um período abaixo de 30 dias. Não é à toa que várias montadoras, como a Volkswagen e General Motors, paralisaram ou reduziram a produção nesta semana concedendo férias coletivas.
“Os estoques ainda estão muito altos, justificando a paralisação de várias de nossas afiliadas”, afirmou o presidente da Anfavea, Luiz Moan. Outra conseqüência dos pátios cheios é a redução de pessoal. De acordo com levantamento da entidade, já foram dispensados cerca de 15 mil funcionários desde o ano passado pelas montadoras. “Temos tentado ao máximo evitar as demissões, mas, na atual conjuntura, ainda estamos com excesso de mão-de-obra”, reforçou Moan.
Em meio a tantas notícias negativas, a Anfavea já começa a ver uma luz no final do túnel. As vendas diárias de veículos, que estavam numa média diária de 10,8 mil unidades em março, passaram para 11,5 mil em abril. “Não fossem os dois feriados-ponte em abril, que nos reduziram o período de dias úteis, teríamos apresentado um avanço de vendas em relação a março”, disse Moan.
Mesmo com a pequena melhora, as projeções para 2015 ainda são desanimadoras. A Anfavea prevê encerrar o ano com uma produção de 2,8 milhões de veículos (queda de 10% em relação a 2014) e um mercado interno de 3 milhões de unidades – redução de 13,2% ante ao ano passado.
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