A DHL Supply Chain, divisão de armazenagem e distribuição do Grupo DHL, prevê movimentar mais de 37 milhões de unidades de produtos no comércio eletrônico brasileiro em novembro, mês da Black Friday, volume 19% superior ao de um mês convencional.
Para atender ao aumento da demanda, a companhia está ampliando o uso de automação nos centros de distribuição, reforçando suas equipes com cerca de 2,6 mil trabalhadores temporários e expandindo a capacidade de armazenagem. A estratégia ocorre em um ano no qual a operadora projeta crescimento de 14% no volume movimentado em suas operações de e-commerce em relação a 2025.
A projeção de crescimento anual foi apresentada por Solon Barrios, vice-presidente de Retail e E-commerce da DHL Supply Chain no Brasil, em entrevista ao InfoMoney. Segundo o executivo, a empresa também espera movimentar 27% mais mercadorias durante a temporada de maior demanda do varejo, que se estende de outubro a dezembro, na comparação com o período equivalente do ano anterior.
Com mais de 20 operações de comércio eletrônico no país, a DHL atende empresas de diferentes segmentos, incluindo marketplaces, eletroeletrônicos, moda, cosméticos, alimentos e artigos esportivos. O planejamento para a Black Friday e o Natal considera não apenas o aumento do volume de mercadorias, mas também mudanças no perfil dos pedidos, que exigem maior capacidade de separação, embalagem e expedição.
Pedidos individuais ampliam complexidade logística
Um dos principais desafios está na mudança da composição das operações omnichannel, que integram vendas para empresas (B2B) e consumidores finais (B2C). Em meses convencionais, os pedidos destinados ao consumidor representam, em média, 15% do volume movimentado nessas estruturas. Durante a Black Friday e o Natal, essa participação chega a 28%.
A mudança altera a dinâmica dos centros de distribuição. Enquanto o abastecimento de lojas e empresas envolve a movimentação de volumes consolidados, as vendas ao consumidor final exigem separação individual de produtos, embalagens específicas e expedição para um número maior de destinos.
O aumento da participação do B2C também amplia a necessidade de coordenação entre armazenagem e transporte, especialmente na etapa final das entregas. O desafio não está apenas em movimentar mais mercadorias, mas em processar uma quantidade maior de operações individuais dentro dos prazos estabelecidos pelo varejo.
Robôs elevam produtividade em 14%
Para absorver essa demanda, a DHL está ampliando a utilização de robôs de apoio à movimentação de produtos nos armazéns. No centro de distribuição de Jandira, na Grande São Paulo, mais de 70 equipamentos estão em fase piloto, com ganhos de produtividade de aproximadamente 14% nas atividades de deslocamento horizontal.
Os robôs transportam paletes entre pontos de abastecimento e áreas de separação, reduzindo a necessidade de deslocamento dos operadores. A tecnologia permite que os trabalhadores permaneçam concentrados nas atividades de preparação dos pedidos, diminuindo o tempo dedicado à movimentação interna de mercadorias.
A companhia também está incorporando sistemas de reconhecimento óptico de caracteres (OCR) para automatizar a leitura das etiquetas dos pacotes. A tecnologia identifica informações como CEP, número do pedido e transportadora, transmitindo os dados em tempo real ao sistema de gestão de armazém (WMS).
Com isso, a triagem e o direcionamento das encomendas passam a depender menos de processos manuais, reduzindo a possibilidade de erros e ampliando a capacidade de processamento nos períodos de maior movimentação.
Apesar do avanço da automação, a empresa mantém a estratégia de reforçar as equipes durante os picos de demanda. Para a temporada de 2026, estão previstas cerca de 2,6 mil contratações temporárias na área de e-commerce, aumento de 38% em relação a um mês convencional.
“O desempenho nos períodos de pico depende da coordenação entre equipes, tecnologia e transporte. Nosso planejamento busca antecipar gargalos e direcionar os recursos para as etapas que exigem maior capacidade, dando aos clientes mais previsibilidade para atender à demanda”, afirma Barrios.
A divisão de Supply Chain conta atualmente com aproximadamente 24 mil funcionários no Brasil, ante 18 mil no ano anterior, segundo informações divulgadas pelo executivo ao InfoMoney. O crescimento do quadro ocorre paralelamente à adoção de novas tecnologias, indicando que a expansão das operações tem exigido tanto investimentos em automação quanto aumento da força de trabalho.
Rede de armazenagem cresce 67% e terá novas unidades
A ampliação da infraestrutura é outra frente da estratégia da DHL. A rede DHL Fulfillment Network (DFN) reúne atualmente cinco centros de distribuição, localizados em Cajamar e Jandira, em São Paulo; Extrema (MG); Serra (ES); e Brasília (DF).
As unidades somam mais de 35 mil metros quadrados de armazenagem, crescimento de 67% em relação a 2025. A estrutura oferece serviços compartilhados de gestão de estoques, integração com marketplaces, separação de pedidos, expedição e distribuição nacional.
O modelo permite que varejistas utilizem a infraestrutura logística da operadora sem a necessidade de investir em centros de distribuição próprios. A contratação dos serviços também possibilita ajustar a capacidade utilizada conforme as oscilações da demanda, reduzindo a exposição a custos fixos em períodos de menor movimentação.
A expansão deverá continuar em 2027, com a previsão de abertura de operações em Fortaleza (CE) e Porto Alegre (RS).
Transporte ganha importância na estratégia
A capacidade de processamento dos centros de distribuição, entretanto, representa apenas uma parte do desafio. O crescimento das vendas online também exige maior disponibilidade de transporte, principalmente nas entregas destinadas ao consumidor final.
Para administrar essa etapa, a DHL utiliza a plataforma Last Mile Orchestration, que reúne transportadoras, rotas e canais de distribuição em uma torre de controle. O sistema permite selecionar prestadores conforme critérios como custo, prazo, capacidade, localização e desempenho operacional.
A companhia opera uma malha de aproximadamente 3 mil a 4 mil veículos, em sua maioria de transportadores parceiros, conforme informações publicadas pelo Consumidor Moderno. A integração dessa rede permite distribuir os volumes entre diferentes prestadores e acompanhar o andamento das entregas. CM
A estratégia ganha relevância em períodos como a Black Friday, quando o aumento simultâneo dos pedidos pode gerar concentração de volumes em determinadas regiões e pressionar a capacidade de coleta, transferência e distribuição.
Para os operadores logísticos, a combinação entre automação, armazenagem descentralizada e gestão integrada do transporte passa a ser um dos caminhos para absorver o crescimento do comércio eletrônico sem depender exclusivamente da expansão física dos centros de distribuição.
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