Defasagem no frete leva transportadoras a rever estratégias comerciais

Com diferença de 10,5% entre fretes e custos operacionais, empresas avaliam contratos com margens menores para manter ou ampliar operações

Redação

A dificuldade de repassar os custos operacionais aos preços do frete tem colocado as transportadoras diante de um dilema: preservar as margens de rentabilidade ou aceitar contratos menos lucrativos para manter a ocupação da frota e conquistar novos clientes. No primeiro semestre de 2026, a defasagem média entre os valores praticados e os custos das operações chegou a 10,5%, segundo levantamento da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística).

Nesse cenário, a Buzin Transportes, do Rio Grande do Sul, tem adotado uma estratégia de expansão comercial mesmo em períodos de menor demanda. A empresa admite trabalhar com margens reduzidas em determinadas operações, considerando a possibilidade de ampliar os volumes transportados quando houver recuperação da atividade econômica.

“Às vezes, é preciso trabalhar com uma margem menor para conquistar uma operação que pode ganhar volume quando a economia voltar a crescer”, afirma Leonardo Busin, CEO da transportadora.

A estratégia, no entanto, envolve riscos. Combustível, manutenção, mão de obra e financiamento de veículos continuam pressionando os custos, independentemente do volume transportado. Contratos fechados com preços insuficientes para remunerar a operação podem comprometer o resultado financeiro, especialmente se a recuperação da demanda demorar.

Outra frente adotada pela Buzin é a diversificação da carteira de clientes. Tradicionalmente concentrada em cargas siderúrgicas, a transportadora ampliou sua atuação para outros segmentos industriais e ingressou, no final de 2025, no transporte de cargas para o comércio eletrônico, com a utilização de caminhões-baú.

Para Busin, a ampliação das operações precisa considerar a rentabilidade de cada contrato. “Crescer por crescer não significa necessariamente construir um negócio mais forte”, afirma.

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