São Paulo concentra R$ 493,7 bilhões em investimentos previstos em infraestrutura de transporte e logística, o equivalente a 23,2% de toda a carteira identificada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) no país. O valor coloca o estado distante dos demais no ranking nacional, com uma carteira 70,7% maior que a de Minas Gerais, segundo colocado, com R$ 289,3 bilhões.
Os dados fazem parte da sétima edição do Plano CNT de Transporte e Logística, atualizada em 2026. O levantamento reúne projetos de diferentes modais e considera obras e intervenções em rodovias, ferrovias, metrôs, trens urbanos, portos, aeroportos, hidrovias e terminais.
Depois de São Paulo e Minas Gerais, aparecem Paraná, com R$ 146,4 bilhões, Pará, com R$ 137,3 bilhões, e Rio Grande do Sul, com R$ 125,8 bilhões. A concentração da carteira paulista reflete o peso econômico do estado e sua posição como principal centro industrial, consumidor e de distribuição de cargas do país.
A infraestrutura paulista vem recebendo investimentos públicos, concessões e parcerias com empresas privadas. Entre as principais frentes estão os programas São Paulo pra Toda Obra, voltado sobretudo à infraestrutura rodoviária, e SP nos Trilhos, que reúne projetos de expansão do transporte ferroviário e metroferroviário.
Segundo a CNT, o estado reúne 87 projetos de integração nacional e outros 41 projetos urbanos, distribuídos entre diferentes modalidades de transporte.
Rodovias concentram parte relevante dos investimentos
Na infraestrutura rodoviária, o programa São Paulo pra Toda Obra registrou R$ 144,6 bilhões em investimentos públicos e privados no primeiro ano, segundo o governo paulista. A carteira inclui recuperação e pavimentação de estradas, duplicações, novos trechos, melhorias de interseções e outras intervenções.
Entre as obras de maior porte está o Rodoanel Norte. As obras foram retomadas em 2024, após seis anos de paralisação, com investimento total estimado em cerca de R$ 3,4 bilhões. O primeiro trecho foi entregue em dezembro de 2025, e a conclusão do segundo está prevista para 2026.
As concessões também ampliam a participação privada na malha rodoviária. A Rota Sorocabana e a Nova Raposo, que iniciaram a operação em 2025, já acumulam mais de R$ 600 milhões em investimentos nos primeiros 12 meses. Os dois contratos preveem mais de R$ 16 bilhões ao longo do período de concessão.
Em 2026, o estado acrescentou à carteira a Rota Mogiana, concessão de 520 quilômetros que prevê R$ 9,4 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos. O projeto inclui 217 quilômetros de duplicações, 138 quilômetros de faixas adicionais e 86 quilômetros de novas marginais.
No levantamento da CNT, a carteira paulista inclui ainda 353,4 quilômetros de adequações rodoviárias, 240,9 quilômetros de novas rodovias, 474,1 quilômetros de duplicações e 118,6 quilômetros de recuperação de pavimento.
Expansão dos trilhos ganha escala
A segunda grande frente de expansão está nos trilhos. O programa SP nos Trilhos reúne mais de 40 projetos de metrô, trens urbanos, Trens Intercidades e veículos leves sobre trilhos, com investimentos estimados pelo governo paulista em R$ 194 bilhões.
Um dos principais projetos é o Trem Intercidades Eixo Norte, que ligará São Paulo a Campinas. O empreendimento prevê R$ 14,2 bilhões em investimentos e inclui também o Trem Intermetropolitano entre Jundiaí e Campinas.
A expansão da rede também passa pela concessão do Lote Alto Tietê, que envolve as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. O contrato prevê obras de expansão e modernização dos três ramais.
Paralelamente aos projetos concedidos à iniciativa privada, o governo paulista mantém investimentos diretos no Metrô e na CPTM. Segundo o estado, foram destinados R$ 42,5 bilhões nos últimos anos à expansão e modernização da rede, incluindo obras, estações, sistemas e aquisição de trens.
Desde o início da atual gestão, foram entregues 12,1 quilômetros de novas extensões, com a inauguração da Linha 17-Ouro e ampliações das linhas 11-Coral, até Palmeiras-Barra Funda, e 9-Esmeralda, até Varginha.
No Metrô, estão em obras as extensões da Linha 2-Verde, entre Vila Prudente e Penha, com previsão de ligação futura até Guarulhos, e da Linha 15-Prata, que terá novas estações nos trechos Jacu Pêssego, Boa Esperança e Ipiranga. Os projetos somam cerca de R$ 28 bilhões, quase 19 quilômetros de novos trilhos e 16 estações.
A carteira futura inclui ainda as linhas 19-Celeste, 20-Rosa e 22-Marrom. Juntas, elas representam mais de 100 quilômetros de projetos em diferentes fases de desenvolvimento.
A Linha 6-Laranja, construída por meio de parceria público-privada, também integra esse processo de expansão. O projeto prevê 15,3 quilômetros e 15 estações, ligando a região noroeste da capital ao centro.
Outro empreendimento em andamento é a extensão da Linha 4-Amarela até Taboão da Serra. Com mais de R$ 4 bilhões em investimentos, o projeto acrescentará 3,3 quilômetros à linha e duas estações. A previsão é atender cerca de 50 mil passageiros por dia.
O tamanho da carteira paulista também aparece nos dados da CNT. O levantamento estima R$ 173,2 bilhões em projetos de construção e expansão de metrôs e trens urbanos no estado, abrangendo 269 quilômetros. Outros R$ 20,8 bilhões estão associados a 170,3 quilômetros de projetos de monotrilhos, VLTs e aeromóveis.
Ferrovias ampliam capacidade para cargas
A expansão da infraestrutura não se restringe ao transporte de passageiros. A CNT identificou em São Paulo 1.048,9 quilômetros de novas ferrovias, com investimentos estimados em R$ 62 bilhões, além de 1.964 quilômetros de recuperação da malha existente, com previsão de R$ 23 bilhões.
O levantamento também inclui projetos de trem de alta velocidade, com 849,6 quilômetros e investimentos estimados em R$ 96 bilhões.
Na infraestrutura portuária, a carteira contempla projetos de acesso terrestre aos portos, com 16,4 quilômetros de intervenções e R$ 11,6 bilhões em investimentos, além de obras em áreas portuárias e projetos de construção de novos portos.
A dimensão da carteira paulista ajuda a explicar a concentração dos investimentos em infraestrutura no estado. Os R$ 493,7 bilhões previstos para São Paulo representam quase um quarto do volume nacional identificado pela CNT e superam, individualmente, a soma das carteiras dos estados que aparecem do terceiro ao quinto lugar no ranking — Paraná, Pará e Rio Grande do Sul.
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