O custo do transporte marítimo de um contêiner de 40 pés entre a Ásia e o porto de Santos acumulou alta de 113% em um ano até o fim de agosto, em meio à disputa por espaço nos navios, congestionamentos portuários e interrupções nas rotas internacionais.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (11) pelo portal especializado chileno MundoMaritimo, com base em informações do Journal of Commerce (JOC), da Alphaliner, da Xeneta/eeSea, da Sea-Intelligence e da Freightos.
A pressão sobre o transporte de contêineres aumentou em agosto, quando apenas 0,5% da frota mundial estava inativa, segundo dados da Alphaliner citados pelo JOC. Ao mesmo tempo, cerca de 4,3 milhões de TEUs (unidades equivalentes a contêineres de 20 pés) estavam parados devido à congestionamentos portuários, principalmente em razão de tempestades que atingiram hubs do Extremo Oriente.
Apesar de o volume de capacidade imobilizada superar o registrado durante as grandes disrupções de 2022, o crescimento da frota mundial reduziu seu peso relativo. Os 4,3 milhões de TEUs correspondiam a 12,6% da capacidade global, ante 15,7% em 2022.
A alta dos custos foi ainda maior em outras rotas. Para a costa oeste do México, o transporte de um contêiner de 40 pés desde a Ásia acumulou aumento de 176% em um ano. Para Los Angeles, a elevação chegou a 182%.
Além dos fretes mais elevados, as empresas enfrentam maior incerteza sobre os prazos de entrega. A confiabilidade dos serviços marítimos entre a Ásia e as costas leste e oeste da América do Sul caiu para níveis de um dígito em julho, segundo dados da Xeneta e da eeSea citados pelo JOC.
No mercado global, a confiabilidade dos serviços caiu para 56,4% em julho, o menor nível do ano, de acordo com a Sea-Intelligence.
A disponibilidade de navios também vem sendo afetada pela redistribuição da frota. Segundo o JOC, algumas companhias marítimas estão deslocando embarcações entre as rotas Ásia-América do Norte e Ásia-América Latina de acordo com a variação das tarifas, aumentando a competição por capacidade.
O cenário é agravado pelo aumento do preço do combustível. Segundo a Freightos, o bunker está cerca de 60% acima do nível registrado antes do início da guerra no Oriente Médio. A empresa avalia que o combustível mais caro tende a estabelecer um piso elevado para as tarifas de transporte de contêineres.
As interrupções provocadas por tufões nos principais portos asiáticos também levaram as companhias a aumentar os cancelamentos de viagens no início de setembro, em uma tentativa de reorganizar cronogramas afetados pelas tempestades.
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