O Rio de Janeiro ultrapassou São Paulo e passou a concentrar a maior parcela dos prejuízos com roubo de cargas no Brasil. No primeiro semestre de 2026, o estado respondeu por 36,6% das perdas registradas no país, ante 16,1% em igual período de 2025, segundo levantamento da empresa de tecnologia logística nstech.
Com 30,9% dos prejuízos, São Paulo ficou na segunda posição, seguido por Minas Gerais, com 9,3%. Juntos, os estados do Sudeste concentraram 77,2% das perdas nacionais, percentual 16,7 pontos acima dos 60,5% verificados um ano antes.
No território fluminense, a capital respondeu, sozinha, por 20,1% dos prejuízos do país. Duque de Caxias aparece com 6%, São Gonçalo, com 3%, e Nova Iguaçu, com 1,9%. Os quatro municípios somaram 31% das perdas nacionais.
Medicamentos na mira das quadrilhas
A principal mudança no perfil das mercadorias roubadas ocorreu entre os medicamentos. A participação desses produtos nos prejuízos saltou de 2,8% para 19% em um ano, levando o segmento farmacêutico da sexta para a terceira posição entre os alvos das quadrilhas.
As cargas diversas ou fracionadas permaneceram na liderança, com 36,6% das perdas, seguidas pelos produtos alimentícios, com 24,6%. Em sentido contrário, a participação dos cigarros caiu de 26,4% para 6,3%, enquanto a de produtos eletrônicos recuou de 7,9% para 1,5%.
Risco avança nas cidades e durante a madrugada
O levantamento também mostra uma mudança na dinâmica dos crimes. A participação dos trechos urbanos nos prejuízos praticamente dobrou, passando de 20,4% no primeiro semestre de 2025 para 39,6% neste ano. O movimento indica maior concentração dos ataques nas etapas de distribuição local e metropolitana.
A madrugada tornou-se o período mais crítico, com 32,9% das perdas, ante 14,4% um ano antes. Somados, noite e madrugada responderam por 57,4% dos prejuízos. A quinta-feira continuou sendo o dia mais problemático, com participação de 22%.
Entre as rodovias analisadas, a BR-101 liderou o ranking, com 17,1% das perdas, seguida pela BR-116, com 8,2%. Em São Paulo, 57% dos roubos ocorreram em trajetos com origem e destino dentro do próprio estado, reforçando o peso das operações de distribuição regional.
“Os dados mostram que as quadrilhas alternam rapidamente as mercadorias visadas, os horários dos ataques e as regiões de atuação”, afirma Cristiano Tanganelli, vice-presidente de Inteligência de Mercado da nstech.
O estudo foi elaborado com informações das gerenciadoras de risco BRK, Buonny e Opentech, integrantes do ecossistema da companhia. Segundo a nstech, as empresas monitoraram mais de R$ 1,11 trilhão em mercadorias no semestre, alta de 10,74%, e recuperaram mais de 70% das cargas atacadas. Os percentuais do relatório representam a participação de cada categoria nos prejuízos financeiros, e não necessariamente no número de ocorrências.
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