A consolidação da Rota Bioceânica de Capricórnio pode alterar parte da logística das exportações brasileiras ao criar uma ligação terrestre entre regiões produtoras do País e os portos do norte do Chile, no Oceano Pacífico. O corredor atravessa Paraguai e Argentina antes de chegar aos terminais chilenos de Iquique, Mejillones e Antofagasta e surge como alternativa principalmente para cargas destinadas à Ásia.
Estimativas do governo federal indicam que a utilização do corredor poderá reduzir em até 12 dias o tempo de transporte de mercadorias para mercados asiáticos, em comparação com rotas marítimas tradicionais. Além do prazo, a expectativa é ampliar as opções logísticas disponíveis aos exportadores e reduzir a dependência de corredores atualmente utilizados para o escoamento da produção brasileira.
A Rota Bioceânica interessa especialmente ao agronegócio do Centro-Oeste, pela possibilidade de deslocar cargas por rodovia até o Pacífico e, a partir dos portos chilenos, seguir por via marítima para mercados como China, Japão e outros destinos asiáticos.
Ponte aproxima corredor da operação
Um dos principais marcos para a implantação do corredor é a Ponte Internacional da Rota Bioceânica, sobre o Rio Paraguai, entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta, no Paraguai. Com 1.294 metros de extensão, a estrutura entrou em sua fase final de construção em 2026.
Do lado brasileiro, também avançam as obras de acesso à ponte na BR-267, em Porto Murtinho. O empreendimento inclui 13,1 quilômetros de rodovia, seis pontes e um viaduto e recebe aproximadamente R$ 472 milhões em investimentos federais.
O corredor integra um projeto mais amplo de conexão sul-americana. Pelo traçado da Rota Bioceânica de Capricórnio, as ligações brasileiras convergem para o Paraguai e o noroeste da Argentina antes de cruzar a Cordilheira dos Andes e alcançar os portos do norte chileno.
Ganho logístico depende das fronteiras
A conclusão das rodovias e da ponte, entretanto, não será suficiente para assegurar os ganhos previstos. A competitividade do corredor dependerá também da eficiência das operações nas fronteiras dos quatro países.
Integração dos procedimentos aduaneiros, controles sanitários, digitalização de documentos, fiscalização, segurança, áreas de apoio aos caminhoneiros e capacidade operacional dos postos de fronteira estão entre os fatores que poderão determinar o tempo efetivamente gasto pelas cargas no percurso.
Para o setor produtivo, outro efeito esperado é o surgimento de investimentos ao longo do corredor, incluindo terminais logísticos, armazenagem, transportadoras, postos de serviços e estruturas de apoio ao comércio exterior.
A diversificação também ganha importância diante do crescimento do comércio brasileiro com a Ásia. Nesse cenário, o corredor pelo Pacífico não necessariamente substitui as rotas marítimas existentes, mas acrescenta uma alternativa para determinadas origens, destinos e tipos de carga.
Corredor será debatido em Ribeirão Preto
Os impactos da Rota Bioceânica sobre o agronegócio, a logística e o comércio exterior serão discutidos no Agrotalk Business, marcado para 15 de setembro, em Ribeirão Preto (SP).
Entre os participantes confirmados estão Jaime Verruck, secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul (Semadesc), e João Carlos Parkinson de Castro, diplomata do Ministério das Relações Exteriores e coordenador nacional dos Corredores Rodoviário e Ferroviário Bioceânicos.
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