Duimp pode reduzir armazenagem de cargas no Porto de Santos

Antecipação do desembaraço tende a mudar fluxo das importações e desafia modelo de atuação dos recintos alfandegados

Redação

A implantação do novo processo de importação brasileiro começa a provocar mudanças que vão além dos procedimentos aduaneiros e podem alterar também a logística física das cargas no Porto de Santos.

Com a Declaração Única de Importação (Duimp), o Catálogo de Produtos e mecanismos como o Despacho sobre Águas, etapas do desembaraço podem ser antecipadas, abrindo espaço para uma liberação mais rápida das mercadorias.

Uma das possíveis consequências é a redução da necessidade de encaminhar determinadas cargas desembarcadas para recintos alfandegados apenas para aguardar a conclusão dos procedimentos de importação. Com maior antecipação das informações e dos controles, o destino da mercadoria e seu tempo de permanência na zona portuária tendem a depender mais da estratégia logística de cada importador.

A mudança pode trazer maior previsibilidade e redução de custos para algumas operações, mas também coloca recintos alfandegados e prestadores de serviços diante da necessidade de adaptar sua atuação à medida que o novo processo avance.

Além da documentação

A Duimp é uma das principais ferramentas do Novo Processo de Importação e substitui gradualmente documentos e procedimentos do modelo anterior. Associada ao Catálogo de Produtos e à integração dos órgãos envolvidos no comércio exterior, busca concentrar informações, eliminar redundâncias e permitir que determinadas etapas sejam realizadas antes da chegada da mercadoria.

No ambiente portuário, porém, os efeitos não ficam restritos à burocracia. A possibilidade de antecipar procedimentos pode interferir no tempo de permanência dos contêineres, na demanda por armazenagem e na organização do transporte após a liberação da carga.

Isso significa que a transformação digital do processo aduaneiro pode produzir reflexos também sobre a ocupação dos terminais e recintos e sobre a maneira como importadores organizam suas cadeias logísticas.

Um novo cenário

Para os recintos alfandegados, o avanço do novo modelo pode exigir uma revisão dos serviços oferecidos. Se determinadas mercadorias puderem ser liberadas mais rapidamente e encaminhadas ao destino sem períodos prolongados de armazenagem, outras atividades logísticas tendem a ganhar importância.

Para os importadores, a maior antecipação dos procedimentos pode ampliar a previsibilidade sobre a retirada da carga e facilitar a integração entre desembaraço, transporte e entrega.

Os efeitos, entretanto, não serão necessariamente iguais para todas as operações. Perfil da mercadoria, exigências dos órgãos anuentes, parametrização e grau de implementação das novas ferramentas estão entre os fatores capazes de influenciar o tempo efetivo de liberação.

Porto Hack investiga impactos da Duimp

Os possíveis efeitos dessa transformação sobre a logística do Porto de Santos serão o desafio da sexta edição do Porto Hack Santos, que reúne 113 estudantes de instituições de ensino da Baixada Santista, distribuídos em 27 equipes.

Promovida pela Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (ABTRA) e organizada pelo Instituto AmiGU, a maratona propôs aos participantes investigar como os importadores estão reagindo ao novo processo e quais podem ser os reflexos sobre a movimentação e a permanência das cargas no complexo portuário.

Participam estudantes da Fatec, Universidade Santa Cecília (Unisanta), Universidade Católica de Santos (Unisantos) e Instituto Federal. Além da pesquisa, as equipes terão encontros e oficinas com profissionais dos setores portuário e de comércio exterior.

“Não queremos apenas a apresentação de soluções. Queremos que os competidores aprendam a investigar um problema real, conversar com quem vive esse problema diariamente, confrontar hipóteses e, a partir daí, construir propostas”, afirma Angelino Caputo, presidente-executivo da ABTRA.

Da pesquisa às soluções

Depois da etapa de investigação, as 27 equipes participarão de uma maratona on-line entre 18 e 20 de setembro, acompanhadas por especialistas. Dez grupos serão selecionados para a final presencial, marcada para 22 de setembro, em Santos.

Os finalistas apresentarão suas propostas a uma banca formada por representantes do Ministério de Portos e Aeroportos, Autoridade Portuária de Santos, entidades setoriais e empresas das áreas portuária e de tecnologia.

As três equipes vencedoras serão anunciadas no mesmo dia. Entre os prêmios estão oportunidades de estágio em empresas associadas à ABTRA.

Ao longo das cinco primeiras edições, o Porto Hack Santos mobilizou mais de 400 jovens. A proposta é aproximar universidades e empresas do ecossistema portuário e utilizar problemas concretos do setor como ponto de partida para o desenvolvimento de novas soluções.

Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno

Veja também

CEO
Marcelo Fontana
[email protected]
Editora
Aline Feltrin
[email protected]
/aline-feltrin
Repórter
Valéria Bursztein
[email protected]
/valeria-bursztein
Executivo de contas
Tânia Nascimento
[email protected]
Raul Urrutia
[email protected]
Financeiro
Vidal Rodrigues
[email protected]
Eventos corporativos / Marketing
Barbara Ghelen
[email protected]
Publicidade
Karoline Jones
[email protected]
Representante região Sul (PR/RS/SC)
Gilberto A. Paulin
+55 (41) 3029-0563
João Batista A. Silva
[email protected]

Aviso de reprodução Este conteúdo pode ser compartilhado com responsabilidade

Este conteúdo pode ser reproduzido, desde que seja citada a fonte com link: Agência Transporte Moderno. Respeitar a autoria e indicar a origem da informação contribui para fortalecer o bom jornalismo e a produção de conteúdo confiável.