A Beta Technologies encerrou o segundo trimestre de 2026 com receita de US$ 14,7 milhões, crescimento de 146% sobre os US$ 6 milhões obtidos no mesmo período de 2025. A fabricante norte-americana de aeronaves elétricas também ampliou sua carteira comercial para 1.001 unidades.
Apesar do crescimento, a companhia mantém despesas elevadas para desenvolver e certificar as novas tecnologias. Entre abril e junho, foram destinados US$ 122,4 milhões a pesquisa e desenvolvimento, além de US$ 41,1 milhões em investimentos de capital. Ao final de junho, a empresa possuía aproximadamente US$ 1,48 bilhão em caixa e equivalentes.
Com o desempenho do trimestre e o avanço dos programas, a Beta elevou sua projeção de receita para 2026. A estimativa passou a variar entre US$ 42 milhões e US$ 50 milhões.
Líder avalia aplicações no Brasil
No mercado brasileiro, a Beta é representada com exclusividade pela Líder Aviação. Anunciada em 2025, a parceria prevê a aquisição de três aeronaves, com opções para outras 50, além da futura atuação da empresa brasileira como centro de serviços autorizado da fabricante.
O acordo permitirá à Líder avaliar possíveis aplicações das aeronaves no Brasil, preparar equipes técnicas e estudar a infraestrutura necessária para as operações.
“Estar próxima desse desenvolvimento desde o início é fundamental para entendermos como essa tecnologia pode ser incorporada ao mercado brasileiro com segurança, capacidade técnica e aplicações que façam sentido para a nossa realidade”, afirma a diretora-superintendente da Líder Aviação, Bruna Assumpção.
Carteira chega a 1.001 aeronaves
A carteira da Beta alcançou 1.001 aeronaves no período. Um dos novos acordos foi firmado com a companhia escocesa Loganair, que assinou um termo para adquirir cinco unidades do CX300, com opção de compra de outras cinco.
O modelo elétrico de decolagem e pouso convencionais também começou a ser utilizado no programa norte-americano eVTOL Integration Pilot Program, iniciativa do Departamento de Transportes dos Estados Unidos e da Administração Federal de Aviação (FAA). As primeiras operações envolveram o transporte de órgãos produzidos pela United Therapeutics.
A Beta informou ainda que suas aeronaves foram empregadas em rotas de carga na Escócia, demonstrações no Japão, ligações entre ilhas no Havaí e exercícios do Exército dos Estados Unidos.
Fabricante avança na certificação
A empresa prossegue com os processos de certificação das plataformas H500A, híbrida e autônoma; CX300, elétrica de decolagem convencional; e A250, de decolagem e pouso vertical.
No caso do CX300, a fabricante concluiu a etapa de definição dos requisitos e recebeu da FAA a aceitação do conjunto de critérios que será utilizado para demonstrar a conformidade da aeronave.
A companhia também apresentou o MV250, modelo autônomo híbrido-elétrico de decolagem e pouso vertical destinado inicialmente a operações de defesa e logística. O sistema de propulsão foi desenvolvido em colaboração com a GE Aerospace.
Outro teste realizado no trimestre levou uma aeronave híbrido-elétrica a uma altitude superior a 30 mil pés. A demonstração envolveu Beta, GE Aerospace, Nasa e Boeing.
138 pontos na rede de recarga
A infraestrutura de recarga da fabricante chegou a 138 pontos. A Beta também se uniu à Archer Aviation e à Macquarie Capital para criar o America’s Consortium for Electric Skyways, projeto que prevê instalar até 250 novos carregadores em aeroportos e vertiportos dos Estados Unidos.
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