A logística das eleições de 2026 vai colocar milhares de urnas eletrônicas em barcos para alcançar comunidades onde rodovias não chegam. No Amazonas, cerca de 4 mil seções eleitorais dependem exclusivamente do transporte fluvial. No Pará, 3.299 urnas serão transportadas por embarcações e 69 municípios dependem total ou parcialmente das hidrovias para a realização da votação.
Em alguns casos, a operação envolve viagens de vários dias. Uma das remessas no Amazonas transportou 467 urnas de Manaus para municípios e comunidades do interior. O percurso mais longo supera 1,5 mil quilômetros até Tabatinga, no extremo oeste do estado, e pode levar aproximadamente sete dias.
Além das urnas, as embarcações transportam cabines de votação, baterias, cabos, cadernos e outros materiais necessários à realização das eleições. São Paulo de Olivença e Tabatinga funcionam como pontos de distribuição para equipamentos que depois seguem para outras localidades.
Seca e cheia mudam a logística
O planejamento começa meses antes da votação e leva em consideração distância, nível dos rios, condições de navegabilidade e disponibilidade das embarcações. Rotas alternativas também precisam ser previstas para situações em que o percurso originalmente programado não possa ser concluído pela água.
Durante a seca, a redução da profundidade dos rios e o surgimento de bancos de areia podem impedir a passagem de embarcações de médio e grande porte. Nesses casos, barcos menores e de menor calado, como rabetas, podem assumir parte do trajeto. Há trechos em que equipamentos e equipes precisam continuar a viagem em triciclos, veículos de tração animal ou até a pé.
A cheia também pode dificultar a operação devido ao aumento da correnteza e às alterações das condições de navegação. No Pará, há ainda a influência das marés, que pode modificar o acesso às comunidades e o tempo necessário para percorrer determinadas rotas.
Barcos, caminhões e aeronaves
Apesar do protagonismo das hidrovias, a distribuição das urnas é uma operação multimodal. Em determinados percursos, os equipamentos seguem inicialmente em embarcações maiores, são transferidos para barcos menores e completam o trajeto por terra ou pelo ar.
No Amazonas, 49 comunidades são classificadas pela Justiça Eleitoral como locais de difícil acesso e podem demandar aviões ou helicópteros. Mesmo nesses casos, embarcações continuam sendo utilizadas em outras etapas, como transporte de equipes, materiais e suprimentos.
No Pará, 400.536 eleitores ribeirinhos estão aptos a votar neste ano, o equivalente a 6,39% do eleitorado estadual. Das 22.072 seções eleitorais, 1.691 são classificadas como ribeirinhas e 622 só podem ser acessadas por via fluvial.
Logística continua depois da votação
O desafio não termina com a chegada das urnas. Depois do encerramento da votação, os resultados precisam ser transmitidos aos centros de totalização. Nas comunidades com baixa conectividade ou sem acesso regular à internet e aos serviços de telecomunicações, são necessárias soluções específicas para o envio dos dados.
A operação eleitoral evidencia a importância das hidrovias na Região Norte não apenas para a movimentação de cargas. Os mesmos rios utilizados para transportar urnas e equipes são utilizados diariamente no deslocamento de passageiros, alimentos, medicamentos, combustíveis e outros insumos para comunidades sem ligação rodoviária.
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