O volume de cargas importadas pelo Brasil deve crescer aproximadamente 5% no segundo semestre, impulsionado principalmente por eletrônicos e eletrodomésticos destinados à Black Friday e ao Natal. A projeção é do Grupo Allog, que não informou o volume absoluto nem a base de embarques utilizada na estimativa.
A concentração das vendas em novembro e dezembro exige que as mercadorias sejam embarcadas com antecedência, principalmente quando procedentes da Ásia. Além do tempo de navegação, o prazo efetivo da importação pode ser alterado por cancelamentos de viagens, mudanças de rota, congestionamentos portuários e indisponibilidade de contêineres.
O aumento da demanda no varejo, entretanto, não significa necessariamente que o volume importado crescerá na mesma proporção. Estoques já disponíveis, valor dos produtos, câmbio e comportamento do consumidor também influenciam as decisões de compra das empresas.
Eventos climáticos afetam rotas asiáticas
Os eventos climáticos ocorridos na Ásia durante agosto acrescentaram incerteza à programação dos embarques. O tufão Dolphin atingiu o Japão e a costa leste da China, provocando interrupções nos transportes e cancelamento de operações. Na sequência, a tempestade tropical Chan-hom também afetou o Japão.
O impacto sobre as cargas destinadas ao Brasil depende da localização dos fornecedores, dos portos de origem e das conexões previstas em cada serviço. Mesmo quando não interrompe diretamente uma rota, o fechamento temporário de um terminal pode deslocar escalas e atrasar navios nas etapas seguintes.
“Em produtos sazonais, um atraso de poucos dias pode comprometer o abastecimento justamente no período de maior demanda. O planejamento precisa considerar possíveis contratempos na origem, durante o transporte e na chegada ao Brasil”, afirma Kall Claudino, gerente de Importação do Grupo Allog.
A instabilidade no Estreito de Hormuz representa um risco indireto. A região não integra a rota da maior parte dos contêineres transportados da Ásia para o Brasil, mas as restrições à navegação têm efeitos sobre combustíveis marítimos, seguros e custos logísticos globais.
Fretes dependem da oferta de capacidade
O comportamento dos fretes marítimos será determinado, em parte, pela capacidade disponibilizada pelos armadores. A entrada de novos navios pode pressionar as tarifas para baixo, enquanto o cancelamento de viagens, conhecido como blank sailing, reduz a oferta de espaço e pode sustentar ou elevar os preços.
Para cargas destinadas a períodos específicos de venda, a comparação entre rotas precisa considerar o tempo de trânsito e o número de escalas, além do valor do frete. Uma alternativa mais barata pode elevar o risco de ruptura de estoque caso envolva prazo maior ou menor regularidade.
A concentração de chegadas nos portos brasileiros também pode ampliar o intervalo entre o desembarque e a entrega da mercadoria. Restrições nos terminais, dificuldade para agendar a retirada e falta de integração com o transporte rodoviário são fatores que podem prolongar a permanência dos contêineres no porto.
Documentação pode antecipar liberação
O desembaraço aduaneiro é outra etapa crítica para produtos ligados a datas comerciais. Antes da chegada da carga, os importadores podem conferir documentos, providenciar licenças e verificar a possibilidade de registro antecipado da Declaração Única de Importação (Duimp) ou da Declaração de Importação (DI).
Esses procedimentos não eliminam os riscos associados ao transporte internacional ou à fiscalização, mas reduzem a possibilidade de atrasos provocados por erros documentais e pendências identificadas somente depois do desembarque.
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