Atividade do transporte recua 0,9% no primeiro semestre

Diesel acumula alta de 14,26% até julho, enquanto juros elevados limitam crédito e investimentos

Redação

A atividade de transporte recuou 0,9% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Boletim de Conjuntura Econômica divulgado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). Apesar da retração, o nível de atividade ainda está 17,9% acima do registrado antes da pandemia.

O resultado considera o segmento de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio e acompanha a perda de ritmo da economia brasileira. Em junho, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), caiu 0,6% na comparação com maio, a maior retração mensal em 12 meses.

O recuo foi influenciado pelas quedas de 1,4% na indústria e de 0,5% nos serviços. No segundo trimestre, entretanto, o IBC-Br ainda apresentou crescimento de 0,2% em relação aos três meses anteriores.

Diesel lidera alta dos custos

Enquanto a atividade perde força, alguns dos principais custos do transporte continuam em alta. Entre janeiro e julho, o óleo diesel acumulou avanço de 14,26%, a maior variação entre os insumos acompanhados pela CNT. Somente em julho, porém, o combustível ficou 1,22% mais barato.

O óleo lubrificante acumulou aumento de 10,25% nos sete primeiros meses do ano, enquanto os pedágios subiram 4,19%. A gasolina avançou 4,91%. Em sentido contrário, o etanol caiu 6,15% e os pneus ficaram 3,01% mais baratos no período.

A combinação entre menor ritmo da atividade e custos ainda pressionados reduz a capacidade de recuperação das margens das transportadoras, principalmente nos contratos em que os reajustes não acompanham integralmente a variação dos insumos.

Selic a 14% mantém crédito caro

O custo do financiamento também permanece como obstáculo aos investimentos. Em agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. Apesar do corte, os juros continuam em patamar restritivo.

“Para o setor de transporte, que demanda investimentos contínuos, a evolução do ambiente de negócios será importante para as perspectivas de atividade e para a expansão da capacidade”, afirma Fernanda Rezende, diretora executiva da CNT.

O crédito caro afeta decisões como compra e renovação de veículos, aquisição de equipamentos e ampliação da capacidade operacional. A ata do Copom também indicou cautela na continuidade do ciclo de redução dos juros diante das expectativas de inflação ainda acima da meta.

As projeções apontam para a manutenção de um crescimento econômico moderado. O Boletim Focus de 21 de agosto estimava expansão de 1,95% do PIB brasileiro em 2026 e de 1,50% em 2027. Para o transporte, o desempenho dependerá da atividade dos setores que contratam seus serviços, da evolução dos custos e das condições de acesso ao crédito.

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