Os acidentes se tornaram o principal fator de perda de cargas no transporte rodoviário brasileiro. Em 2024, eles responderam por 62% dos prejuízos às mercadorias e ocorreram com frequência 4,5 vezes superior à dos roubos, segundo levantamento da Pamcary.
A cada 10 mil deslocamentos monitorados naquele ano, foram registrados 2,36 acidentes, ante 0,53 ocorrências de roubo de carga. Os números mostram uma mudança no perfil de risco das operações rodoviárias, historicamente muito concentradas em medidas de prevenção à criminalidade.
O impacto dos acidentes vai além das mercadorias transportadas. Estimativa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), baseada em dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), aponta que acidentes envolvendo caminhões nas rodovias federais geraram custos de aproximadamente R$ 5,1 bilhões em 2024.
O valor não representa apenas perdas de carga. A estimativa considera os custos associados aos acidentes e às fatalidades envolvendo veículos de carga nas rodovias federais.
Tombamentos lideram ocorrências
Os tombamentos e capotamentos representaram 54% dos acidentes analisados pela Pamcary. Outro dado chama a atenção: 40,4% das ocorrências envolveram veículos que transportavam produtos perigosos ou poluentes.
O Sudeste concentrou 40,6% dos registros no primeiro semestre de 2025, seguido pelo Nordeste, com 22,7%. Entre os corredores apontados com maior incidência estão as ligações entre São Paulo e Rio de Janeiro e entre Minas Gerais e São Paulo.
A BR-116 aparece como a rodovia com maior número de ocorrências, especialmente no trecho paulista. Em Minas Gerais, 92% dos acidentes analisados no levantamento aconteceram na BR-381.
O avanço dos acidentes em relação aos roubos amplia a necessidade de as transportadoras reverem também a forma como estruturam o gerenciamento de riscos e a contratação de seguros.
Seguro precisa acompanhar mudanças na operação
Segundo João Paulo Barbosa, especialista em seguros de transporte de cargas e sócio-diretor da Mundo Seguro, alterações de rotas, perfil de clientes, mercadorias transportadas e valor médio das cargas podem modificar a exposição ao risco e exigir mudanças nas coberturas contratadas.
“Quando a cobertura não é reavaliada ao longo do tempo, ela deixa de refletir a realidade da operação. Mudanças em rotas, perfil de clientes, tipo de mercadoria transportada ou aumento no valor das cargas alteram diretamente o nível de risco da atividade”, afirma.
Outro ponto de atenção são os eventos climáticos. Enchentes, alagamentos e deslizamentos podem provocar perdas de carga e interrupções das operações, mas a extensão da cobertura depende das condições previstas em cada contrato.
Barbosa recomenda ainda atenção às cláusulas que condicionam a cobertura ao cumprimento de determinados procedimentos operacionais, como utilização de equipamentos de rastreamento, definição de rotas, horários de circulação e protocolos de segurança.
Para o especialista, a contratação baseada apenas no preço também pode deixar exposições descobertas. “É preciso avaliar se as coberturas, limites, condições e exigências da apólice realmente correspondem aos riscos aos quais aquela operação está exposta”, afirma.
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