Super El Niño ameaça transporte de combustíveis e faz empresas anteciparem estoques na Amazônia

Empresas de geração no Amazonas pedem antecipação de recursos para formar estoques antes da possível redução do nível dos rios

Redação

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) assinou nesta semana editais de contratação para serviços de dragagem em quatro trechos dos rios Amazonas e Solimões

O risco de uma seca severa associada ao Super El Niño já começa a provocar medidas preventivas no transporte de combustíveis na Amazônia. Três empresas responsáveis pela geração de energia em sistemas isolados do Amazonas — Powertech, Aggreko e Oliveira Energia — solicitaram à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a antecipação de recursos para comprar e armazenar combustível antes do período mais crítico da estiagem.

A informação foi divulgada nesta sexta-feira (21) pelo BNC Amazonas. A preocupação está diretamente relacionada à navegação. Com a redução do nível dos rios, embarcações podem ter restrições para transportar grandes volumes de combustível, aumentando a complexidade e o custo da operação.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) vem monitorando os possíveis impactos da estiagem sobre o abastecimento de combustíveis na Região Norte. O governo também trabalha com a formação antecipada de estoques e alternativas logísticas, como o uso de embarcações de diferentes portes e operações de transbordo. A estratégia é garantir que o combustível esteja disponível nas localidades mais dependentes do transporte fluvial antes que uma eventual queda acentuada dos rios dificulte a navegação.

Risco vai além do combustível

O problema pode atingir outras cadeias que dependem do transporte pelos rios amazônicos. Alimentos, medicamentos e insumos também podem sofrer impactos caso a navegação seja restringida. O cenário coloca a logística fluvial novamente no centro das atenções, especialmente porque o transporte por rodovia não consegue substituir integralmente os rios em grande parte da região.

O impacto do El Niño também aparece no transporte marítimo internacional. O Canal do Panamá anunciou que reduzirá o número de navios que podem atravessar diariamente a hidrovia a partir de setembro, em razão das condições de seus reservatórios. O fenômeno climático, portanto, começa a produzir efeitos que vão além da meteorologia, atingindo rotas, estoques, custos e capacidade de transporte.

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