Enquanto o setor de transporte busca alternativas para reduzir a dependência do diesel, uma solução baseada em combustível renovável ganha espaço nas pistas da Copa Truck. Nas cinco primeiras etapas da temporada 2026, o uso do Be8 BeVant evitou a emissão de aproximadamente 107 toneladas de CO₂e, segundo levantamento divulgado pela empresa.
A redução corresponde a 99,3% das emissões no conceito “tanque à roda”, na comparação com o diesel convencional. Os dados consideram as etapas realizadas em Campo Grande (MS), Santa Cruz do Sul (RS), Cascavel (PR), Interlagos (SP) e Cuiabá (MT).
A Copa Truck chega agora a Londrina (PR), onde realiza sua sexta etapa neste fim de semana, nos dias 22 e 23 de agosto.
Descarbonização da frota que já está nas estradas
O resultado da competição reforça uma das discussões centrais da transição energética no transporte de cargas: como reduzir as emissões dos milhões de caminhões movidos a diesel que continuarão em circulação nos próximos anos.
Segundo dados do Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Automotores Rodoviários, o transporte rodoviário brasileiro emitiu cerca de 270 milhões de toneladas de CO₂ em 2024. Os caminhões responderam por aproximadamente 40% desse total, o equivalente a cerca de 108 milhões de toneladas.
É nesse mercado que a Be8 tenta posicionar o BeVant. A empresa afirma que cerca de 100 clientes já utilizam o biocombustível de forma contínua em operações de diferentes setores.
Produzido a partir de matérias-primas como gordura animal e óleo de cozinha usado, o combustível é apresentado como uma alternativa para reduzir as emissões sem exigir a substituição da frota ou modificações nos motores.
Diesel teria emissões 144 vezes maiores
Nas condições consideradas no levantamento, as emissões estimadas com o diesel convencional seriam aproximadamente 144 vezes maiores do que aquelas registradas com o Be8 BeVant.
O cálculo das emissões das cinco etapas foi realizado com base nas metodologias do Programa Brasileiro GHG Protocol e validado pela Control Union, de acordo com a companhia.
Para dimensionar o impacto, a empresa compara as 107 toneladas de CO₂e evitadas ao volume de carbono que aproximadamente 658 árvores da Mata Atlântica removeriam da atmosfera ao longo de 20 anos, segundo a metodologia utilizada no estudo.
Pista vira laboratório para o transporte
A utilização do combustível na Copa Truck também funciona como uma demonstração em condições severas de operação. Os caminhões de competição são submetidos a altas exigências de desempenho, o que permite à empresa usar as pistas como vitrine para aplicações comerciais.
Desenvolvido e patenteado pela Be8, o BeVant pode ser utilizado puro em motores do ciclo diesel, segundo a fabricante. Além da competição, o produto já é empregado em máquinas agrícolas, navegação, geradores e frotas de caminhões e ônibus.
A etapa de Londrina amplia essa demonstração em um momento em que a descarbonização do transporte começa a combinar diferentes caminhos. De um lado, avançam tecnologias como eletrificação e hidrogênio. De outro, combustíveis renováveis buscam espaço como alternativa de curto prazo para reduzir a pegada de carbono da frota que já circula pelo país.
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