Uma nova rota logística pretende reduzir a pegada de carbono do transporte de açúcar de Minas Gerais ao Porto de Santos. Em projeto-piloto, a Bioenergética Aroeira, em parceria com Gasgrid/ZEG Biogás, Aguetoni Transportes e VLI Logística, integrou o uso de biometano no transporte rodoviário à ferrovia para levar a carga mineira até o principal complexo portuário do país.
A operação começa com o abastecimento dos caminhões com biometano produzido a partir de resíduos da própria cadeia sucroenergética. Os veículos transportam o açúcar até o Terminal Integrador de Uberaba, administrado pela VLI. A partir dali, a carga segue pela Ferrovia Centro-Atlântica até o Porto de Santos, onde é destinada à exportação.
A proposta é substituir parte do diesel utilizado no trecho rodoviário por um combustível renovável e, ao mesmo tempo, aproveitar a maior eficiência energética do transporte ferroviário. Com isso, o projeto combina duas alternativas de menor emissão em uma mesma cadeia logística.
Da usina ao combustível
O biometano empregado na operação é produzido a partir de resíduos resultantes do processamento da cana-de-açúcar. Por meio de processos de biodigestão e purificação, o material é transformado em um combustível renovável que pode substituir o gás fóssil e, no transporte, o diesel.
A lógica é de economia circular: resíduos da atividade sucroenergética deixam de ser apenas um passivo ou subproduto e passam a gerar energia para movimentar a própria cadeia de produção e distribuição.
Além do potencial de redução das emissões, a produção doméstica de biometano pode contribuir para diminuir a dependência de combustíveis derivados de petróleo e a exposição do mercado brasileiro às oscilações internacionais dos preços de energia.
Ferrovia amplia potencial de descarbonização
O segundo componente da rota é o transporte ferroviário. Segundo a VLI, o modal pode emitir até 75% menos CO₂ por tonelada transportada em comparação com caminhões abastecidos com combustíveis de origem fóssil.
A estratégia também evidencia uma tendência crescente na logística de cargas: em vez de substituir completamente um modal por outro, combinar diferentes tecnologias e meios de transporte para reduzir custos e emissões ao longo da cadeia.
O fluxo já está em fase piloto, com movimentação estimada em 12 mil toneladas de açúcar por mês. A expectativa é ampliar gradualmente a operação ao longo do segundo semestre. Para 2027, os parceiros projetam movimentar aproximadamente 200 mil toneladas de açúcar pela rota.
A escala ainda é pequena diante do volume transportado pelo agronegócio brasileiro, mas o projeto serve como teste para um modelo que pode ser replicado em outras cadeias e corredores logísticos, especialmente em regiões com produção de biometano próxima às áreas de origem das cargas.
A iniciativa aposta na integração entre produção de energia, economia circular e infraestrutura logística. O objetivo é mostrar que a descarbonização do transporte de cargas pode ocorrer pela combinação de soluções: do combustível utilizado nos caminhões à escolha do modal para os trechos de maior distância.
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