Um caminhão abastecido exclusivamente com biodiesel 100% (B100) ultrapassou 500 mil quilômetros rodados sem adaptações no motor e sem registro de falhas de manutenção. O veículo faz parte de um projeto da JBS iniciado em 2023 para avaliar o uso do biocombustível no transporte pesado.
Em operação há três anos, o caminhão percorre diariamente o trecho entre Lins, no interior de São Paulo, e o Porto de Santos, transportando cargas para exportação. O percurso inclui trechos de serra, com subidas e descidas acentuadas, e é realizado com uma carreta-container.
Segundo a empresa, ao longo do período de testes não foram identificados problemas no motor ou desgaste anormal de componentes. Avaliações realizadas durante o projeto também não apontaram aumento no consumo de combustível nem necessidade de manutenção corretiva relacionada ao uso do B100.
Mais de 1 milhão de quilômetros
O veículo que atingiu os 500 mil quilômetros integra uma frota maior da TRS, transportadora da JBS. Outros caminhões adquiridos para o projeto também operam exclusivamente com B100, em atividades que incluem o transporte de contêineres e de bovinos vivos. Somados, os veículos já percorreram mais de 1,1 milhão de quilômetros desde o início dos testes.
“Não notamos nenhuma dificuldade na movimentação da frota abastecida com B100 em nenhuma das fases do teste”, afirma Márcio Salaber, diretor da TRS. Segundo ele, o desempenho dos caminhões permaneceu estável ao longo da operação.
O combustível utilizado nos testes é produzido pela Biopower, também pertencente à JBS, a partir de resíduos do processamento de bovinos e de óleo de cozinha usado. A experiência, portanto, envolve não apenas a substituição do diesel, mas também o aproveitamento de resíduos como matéria-prima.
Abastecimento em Lins
Os caminhões são abastecidos em uma estrutura instalada no complexo da JBS, em Lins. O local é homologado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para o abastecimento de B100 e possui duas bombas, com capacidade de armazenamento de até 46 mil litros.
A utilização do biodiesel 100% ainda é relativamente restrita no transporte pesado brasileiro, o que torna experiências de longa duração relevantes para avaliar questões como desempenho, consumo, manutenção e compatibilidade com os veículos.
Impacto nas emissões
A empresa também calcula os efeitos ambientais da substituição do diesel pelo B100. Com base na metodologia do GHG Protocol Brasil, a utilização do biodiesel pode reduzir em até 99% as emissões de CO₂ em relação ao diesel convencional, dependendo das condições consideradas no cálculo.
Desde o início do projeto, a JBS estima que a operação da frota tenha evitado aproximadamente 1 mil toneladas de CO₂ equivalente.
Para além da marca de quilometragem, o resultado oferece um retrato de como o B100 se comporta em uma operação contínua de transporte de cargas, submetida a diferentes condições de estrada e uso. A questão central agora é saber até que ponto resultados obtidos em frotas específicas podem ser reproduzidos em uma escala maior no transporte rodoviário brasileiro.
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