Apesar do avanço dos investimentos em ferrovias, portos e infraestrutura logística, apenas 31% dos operadores logísticos brasileiros realizam operações multimodais. O dado consta do novo Perfil do Operador Logístico no Brasil, apresentado durante o 10º Congresso da Associação Brasileira dos Operadores Logísticos (ABOL), realizado em Ibiúna (SP), e mostra a distância entre a expansão dos diferentes modais e sua efetiva integração.
A dificuldade também apareceu entre os participantes do congresso. Em questionário realizado pela ABOL após os painéis, 39% apontaram uma melhor conexão entre os modais como uma das medidas capazes de destravar o crescimento das empresas nos próximos anos. A previsibilidade regulatória e de recursos apareceu com 52%, seguida pela modernização e ampliação das rodovias, com 36%.
Para 88% dos respondentes, o avanço da multimodalidade depende de atuação coordenada entre poder público e iniciativa privada. Outros 12% atribuíram papel preponderante ao Estado e nenhum considerou que o setor privado, isoladamente, poderia conduzir essa transformação.
Integração no centro do planejamento
O governo estrutura o Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, que pretende orientar os investimentos em transportes a partir de corredores de exportação, abastecimento interno, integração territorial e manutenção da infraestrutura existente.
As diretrizes foram apresentadas no congresso por Gabriela Avelino, subsecretária de Fomento e Planejamento do Ministério dos Transportes, e Danilo Imbimbo, coordenador-geral de Governança da Informação da pasta.
O cenário de maior incerteza também já influencia decisões empresariais. Entre os participantes consultados pela ABOL, 57% disseram estar revisando contratos para aumentar a flexibilidade diante das mudanças no comércio internacional. Outros 39% afirmaram diversificar matrizes e rotas, mesmo percentual dos que ampliam a base de parceiros.
Reforma tributária redesenha logística
A reforma tributária aparece como outra variável capaz de alterar a configuração das cadeias. Metade dos respondentes informou estar ajustando estratégia financeira e capital de giro diante do split payment e do novo sistema de créditos tributários. Outros 29% estudam redesenhar a malha logística ou realocar atividades diante da futura redução dos benefícios associados ao ICMS.
Segundo Daniel Loria, sócio do Loria Advogados, cerca de 90% da reforma já está regulamentada, embora permaneçam desafios relacionados à adaptação de sistemas e documentos fiscais. A transição para o IBS, a partir de 2029, tende a ampliar os efeitos sobre decisões de localização de operações e redes de distribuição.
Na avaliação de Marcella Cunha, diretora-executiva da ABOL, a integração entre os diferentes agentes será determinante para a próxima etapa do setor. “É importante que tenhamos estabilidade, integração e coordenação entre os diferentes elos públicos e privados”, afirma.
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