O Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco, iniciou estudos para avaliar a implantação de um sistema de fornecimento de energia elétrica de fontes renováveis aos navios atracados. A tecnologia permitiria às embarcações compatíveis desligar os geradores auxiliares movidos a combustíveis fósseis enquanto permanecem no porto.
Conhecido como Onshore Power Supply (OPS), ou shore power, o sistema conecta o navio à rede elétrica em terra para atender demandas como iluminação, refrigeração, ventilação e comunicação. Além de reduzir emissões de gases de efeito estufa e outros poluentes, a solução pode diminuir ruídos e vibrações durante a estadia.
O projeto ainda está em fase de estudos. Serão avaliados a demanda energética dos navios que operam em Suape, o tempo médio de permanência, a compatibilidade das embarcações e as adaptações necessárias nos berços e na rede elétrica.
“Estamos preparando Suape para acompanhar as mudanças que já estão ocorrendo na navegação mundial. O estudo vai nos permitir avaliar a viabilidade do projeto e planejar a infraestrutura necessária para oferecer esse serviço no futuro”, afirma Armando Monteiro Bisneto, diretor-presidente de Suape.
Investimentos ainda serão definidos
Os estudos também deverão dimensionar os investimentos, avaliar o modelo econômico e possíveis parcerias e indicar se a implantação poderá ocorrer por etapas. Entre as estruturas necessárias podem estar subestações, sistemas de transformação e controle, pontos de conexão e cabos de alta capacidade.
O projeto prevê o uso de eletricidade proveniente de fontes renováveis, mas os mecanismos de comprovação e rastreabilidade da origem da energia ainda serão definidos.
“O OPS permite substituir, durante a atracação, a geração de energia a bordo por eletricidade fornecida pelo porto. Estamos aprofundando os estudos para identificar a solução mais adequada às características de Suape”, explica Sóstenes Alcoforado, diretor de Sustentabilidade e Inovação.
Tecnologia avança nos grandes portos
A implantação de sistemas OPS integra a agenda de descarbonização do setor marítimo e portuário. Diagnóstico aprovado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) em 2024 analisou a preparação dos portos brasileiros para a transição energética, incluindo eletrificação de equipamentos e fornecimento de energia aos navios.
Na Europa, a tecnologia já está presente em grandes complexos. Hamburgo, na Alemanha, opera shore power desde 2016 e ampliou a infraestrutura para atender navios de cruzeiro e porta-contêineres. Em Roterdã, nos Países Baixos, um projeto prevê equipar três terminais de contêineres, abrangendo oito quilômetros de cais e 35 pontos de conexão.
No Brasil, o uso do OPS em grandes embarcações ainda é limitado. Em Suape, a conclusão dos estudos deverá definir a configuração do sistema, os berços prioritários, os investimentos necessários, possíveis parcerias e o cronograma de uma eventual implantação.
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