O tempo gasto por caminhões à espera de carga e descarga tornou-se um ponto de pressão sobre a produtividade e os custos do transporte rodoviário no Paraná. Em um estado que concentra fluxos relevantes do agronegócio, da indústria e do comércio exterior, transportadoras enfrentam o desafio de conciliar jornadas de trabalho, prazos de entrega e utilização da frota com períodos de permanência em embarcadores e destinatários.
O problema ganha dimensão diante do volume movimentado pela logística paranaense. Em 2025, os portos do estado registraram recorde de 73,5 milhões de toneladas, alta de 10,1% sobre o ano anterior. No mesmo período, o Pátio Público de Triagem do Porto de Paranaguá recebeu 507.915 caminhões, crescimento de 29,5%.
Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar), esperas prolongadas nas operações de carga e descarga reduzem a quantidade de viagens que um mesmo veículo consegue realizar e mantêm custos fixos mesmo quando o caminhão está parado.
“Uma jornada útil do motorista tem cerca de oito horas. Isso significa que uma única espera dentro do limite previsto em lei já consome mais da metade do dia produtivo do veículo. Caminhão parado não gera receita, mas continua gerando custos com financiamento, seguro, rastreamento, licenciamento e salário do motorista”, afirma Silvio Kasnodzei, presidente do Setcepar.
Limite legal é de cinco horas
A Lei nº 11.442/2007 estabelece prazo máximo de cinco horas para carga e descarga de veículos do transporte rodoviário de cargas, contado a partir da chegada ao endereço de destino. Ultrapassado esse período, a legislação prevê pagamento ao transportador por tonelada/hora ou fração.
Para o Setcepar, porém, mesmo uma espera dentro desse limite pode comprometer parte significativa do período disponível para a operação do veículo.
O custo ganhou outro componente após o julgamento da ADI 5322 pelo Supremo Tribunal Federal. O STF considerou inconstitucionais dispositivos da Lei dos Caminhoneiros que excluíam da jornada de trabalho o período em que o motorista permanecia aguardando carga ou descarga nas dependências do embarcador ou destinatário.
“Desde então, a espera passou a integrar a jornada de trabalho comum, sendo remunerada integralmente”, afirma Kasnodzei.
Na prática, períodos prolongados de espera podem afetar não apenas o custo de mão de obra, mas também a programação das viagens e o aproveitamento da frota. Segundo a entidade, a falta de previsibilidade leva transportadoras a ampliar os intervalos entre atendimentos e, em determinadas operações, pode exigir mais veículos ou motoristas para cumprir a mesma programação.
Agendamento pode reduzir tempo parado
Entre as medidas defendidas pelo Setcepar estão o cumprimento dos horários agendados por embarcadores e destinatários, o dimensionamento das docas e equipes de acordo com o volume movimentado e o registro dos horários de chegada e saída dos veículos.
A entidade também aponta o agendamento eletrônico, com janelas definidas de atendimento, e a integração de documentos como alternativas para reduzir processos manuais e aumentar a previsibilidade das operações.
“As soluções são conhecidas, maduras e de baixo custo; o que falta é adoção. O agendamento eletrônico deve contar com janelas de atendimento definidas e controle do tempo de permanência, enquanto a integração documental pode eliminar conferências manuais que ainda travam as docas”, diz Kasnodzei.
O sindicato propõe ainda a criação de um protocolo estadual de boas práticas envolvendo transportadoras, embarcadores, destinatários e poder público. A avaliação é que a redução do tempo de permanência dos caminhões nas operações permitiria elevar o aproveitamento da frota e reduzir custos ao longo da cadeia logística.
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