O preço médio do frete rodoviário no Brasil recuou 0,46% em julho, para R$ 8,63 por quilômetro rodado, ante R$ 8,67 em junho. A queda acompanhou a redução dos preços do diesel e ocorreu em um cenário de mudanças nas regras do piso mínimo de frete e de forte demanda por transporte para o escoamento da safra de milho.
Os dados são do Índice de Frete Rodoviário (IFR), da Edenred Mobilidade, calculado a partir de informações da plataforma Repom. O recuo de julho foi o primeiro movimento de baixa depois de um período de maior pressão sobre os custos operacionais do transporte. Segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), os combustíveis registraram o terceiro mês consecutivo de queda desde o pico observado em abril.
O diesel comum terminou julho com preço médio nacional de R$ 6,83 por litro, uma redução de 2,15% em relação ao mês anterior. No caso do diesel S-10, a queda foi de 1,66%, para R$ 7,10 por litro.
Nova tabela da ANTT entra no cenário
Além dos combustíveis, os preços do transporte rodoviário passam a incorporar os efeitos da atualização do piso mínimo de frete promovida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Publicada no fim de julho, a Resolução nº 6.084 atualizou os coeficientes de deslocamento (CCD) utilizados no cálculo do piso mínimo. As reduções ficaram entre 0,002% e 2,18%, dependendo da operação.
Também em julho, foi sancionada a Lei nº 15.485, que regulamenta a fiscalização do piso mínimo de frete e tornou permanentes regras que estavam em vigor por meio da Medida Provisória nº 1.343/2026.
A legislação estabelece mecanismos para que os custos operacionais do transporte sejam considerados na formação do preço mínimo do frete. Para a Edenred, as mudanças regulatórias devem contribuir para aumentar a conformidade dos valores praticados no mercado.
“Julho foi marcado por um ambiente mais favorável para o transporte rodoviário, com a queda consecutiva dos preços do diesel contribuindo para acomodar o preço médio do frete”, afirma Vinicios Fernandes, diretor de Unidades de Negócios da Edenred Mobilidade.
Segundo ele, os próximos meses devem continuar sendo influenciados pelo comportamento dos combustíveis e pela dinâmica dos diferentes setores da economia. “Os efeitos da nova tabela de pisos mínimos da ANTT e da nova lei tendem a dar mais conformidade para os preços do frete”, diz.
Safra de milho pode pressionar frete em agosto
Apesar do alívio nos custos dos combustíveis, a demanda por caminhões pode aumentar nas próximas semanas com o avanço da colheita da segunda safra de milho. Em Mato Grosso do Sul, 37,3% da área plantada já havia sido colhida, o equivalente a aproximadamente 823,5 mil hectares. O avanço da produção tende a elevar a procura por transporte para levar os grãos das regiões produtoras aos armazéns, indústrias e portos.
Esse movimento pode limitar o efeito da queda do diesel sobre os preços do frete e provocar pressão nas tarifas em agosto, principalmente nas rotas ligadas ao agronegócio. O cenário ocorre em um momento de mudanças nas condições financeiras do país. A taxa básica de juros, a Selic, foi reduzida para 14% ao ano, o que pode melhorar gradualmente as condições de financiamento e investimento, embora os efeitos sobre a atividade econômica e o transporte sejam defasados.
Indústria perde ritmo e reduz demanda por transporte
Enquanto o agronegócio sustenta a procura por caminhões, a indústria brasileira apresentou sinais de desaceleração em julho. O Índice de Gerentes de Compras (PMI) industrial caiu de 50,8 pontos em junho para 47,5 em julho. Leituras abaixo de 50 pontos indicam contração da atividade.
O resultado representou a retração mais intensa em cinco meses, influenciada pelo aumento dos custos operacionais e pela redução das novas encomendas. Uma indústria menos aquecida tende a reduzir a demanda por transporte de matérias-primas e produtos acabados.
Apesar disso, a confiança dos industriais para os próximos 12 meses melhorou. O indicador passou de 53% em junho para 66% em julho, sinalizando uma perspectiva mais positiva para a atividade no médio prazo.
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