O avanço do sistema Free Flow nas rodovias brasileiras deve ampliar o uso de tags de pagamento automático entre os motoristas. O modelo, que substitui as praças de pedágio tradicionais por pórticos equipados com câmeras e sensores, já está presente em mais de 19 rodovias e deve chegar a corredores de grande movimento, como o sistema Anchieta-Imigrantes.
Em São Paulo, as rodovias Castello Branco e Raposo Tavares também estão previstas no cronograma de implantação do Free Flow para 2027. A tecnologia identifica os veículos por meio da tag ou da leitura da placa. Para quem utiliza o dispositivo, a tarifa é debitada automaticamente no momento da passagem. Sem a tag, o motorista precisa consultar a cobrança e fazer o pagamento posteriormente pelos canais digitais disponibilizados pela concessionária.
O prazo para quitar a tarifa varia de acordo com a rodovia e pode chegar a 30 dias corridos. O não pagamento pode resultar em multa por evasão de pedágio de R$ 195,23, além de cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Menos etapas para controlar as despesas
Com a expansão do Free Flow, a tag passa a ter uma função que vai além de evitar filas e facilitar a passagem pelos pedágios. O dispositivo também permite concentrar os pagamentos e acompanhar os gastos com maior previsibilidade.
Para Ricardo Kaoru, CEO da ConectCar e presidente da Associação Brasileira das Empresas de Pagamento Automático para Mobilidade (Abepam), a expansão do modelo precisa ser acompanhada por uma comunicação mais clara com os motoristas.
“O modelo traz ganhos importantes para a mobilidade, como a redução de congestionamentos e uma jornada mais rápida, mas ainda exige adaptação do usuário”, afirma.
Segundo ele, a tag reduz a complexidade do sistema ao automatizar o pagamento e diminuir a necessidade de acompanhar diferentes prazos e acessar os canais digitais de cada concessionária.
“Com o avanço do Free Flow, ela deixa de ser apenas uma conveniência e passa a ser uma forma de evitar imprevistos no dia a dia e tornar a experiência mais previsível”, diz.
Descontos podem reduzir custo do pedágio
Além da praticidade, o uso de tags pode representar economia para alguns motoristas. Nas rodovias federais concedidas, usuários de pagamento automático têm direito ao Desconto Básico de Tarifa (DBT), regulamentado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que corresponde a 5% da tarifa.
Algumas concessões também oferecem o Desconto de Usuário Frequente (DUF). Nesse caso, o abatimento é progressivo e depende da quantidade de passagens do mesmo veículo pela mesma praça durante o mês. O benefício é destinado a carros de passeio e exige o uso de uma tag de pagamento automático.
Empresas ampliam oferta de tags
A expansão dos meios de pagamento automático também tem sido estimulada por parcerias entre empresas de tags, bancos e instituições financeiras. Há ofertas que incluem isenção de mensalidade e descontos para clientes.
Para motoristas que utilizam as rodovias profissionalmente, como caminhoneiros, motoristas de aplicativo, representantes comerciais e empresas de transporte, a centralização dos pagamentos pode facilitar o controle das despesas.
Em vez de acompanhar cobranças de diferentes concessionárias, o usuário consegue reunir os gastos em uma única conta, com os valores registrados de acordo com as passagens realizadas.
Segundo a Abepam, o Brasil tem atualmente cerca de 15 milhões de tags ativas. A associação estima que esse número possa chegar a 20 milhões até 2027, acompanhando a expansão do Free Flow e de outros sistemas de pagamento automático.
A tendência indica uma mudança no relacionamento dos motoristas com os pedágios. À medida que as cancelas dão lugar aos pórticos eletrônicos, a discussão deixa de ser apenas sobre velocidade e fluidez na passagem e passa a envolver também a forma de acompanhar e administrar os custos das viagens.
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