A Cummins completa 70 anos de operação em Osasco, na Grande São Paulo, com uma série de investimentos voltados à modernização da fábrica de eixos. A unidade, que iniciou suas atividades em 16 de julho de 1956, passou nos últimos anos por mudanças em manufatura, digitalização, sustentabilidade, segurança e desenvolvimento de pessoas.
Segundo a empresa, a transformação ganhou força a partir de 2022, quando a operação passou a integrar oficialmente a Cummins. O movimento acompanha a evolução da indústria de veículos comerciais e prepara a fábrica para novas gerações de produtos e componentes.
“A capacidade de se reinventar faz parte da história da operação de Osasco. Ao longo de sete décadas, a unidade acompanhou diferentes ciclos de evolução da indústria, incorporando novas tecnologias, processos e competências”, afirma Kleber Assanti, gerente-geral da Divisão de Eixos da Cummins.
Fábrica de eixos ganhou 12 mil m²
A primeira etapa do processo de modernização ocorreu entre 2020 e 2023, com a ampliação da área produtiva em 12 mil metros quadrados. A empresa também implantou uma nova linha de Montagem de Diferenciais em Células (MDC), modernizou as linhas de montagem de eixos e instalou um armazém vertical automatizado.
A fábrica ainda recebeu novos equipamentos para corte, lapidação e usinagem de componentes considerados críticos para a produção.
As mudanças, segundo a Cummins, aumentaram a flexibilidade operacional, a rastreabilidade e o controle de qualidade, além de ampliar a capacidade de produção da unidade.
A partir de 2023, a companhia intensificou a agenda de industrialização e transformação digital.
Entre os equipamentos incorporados estão uma nova lapidadora L60, uma cortadora de engrenagens C60 e uma medidora P65. A L60 reduziu em até 66% o tempo de preparação das máquinas, enquanto a C60 elevou em 12% a capacidade de produção de coroas e pinhões.
A medidora P65, por sua vez, ampliou a capacidade de inspeção dimensional de componentes e o controle de qualidade da produção.
Cummins aposta em digitalização e inteligência artificial
As linhas de montagem de eixos também foram modificadas. A empresa substituiu modelos tradicionais baseados em esteiras por sistemas mais flexíveis, apoiados em paleteiras e conceitos de manufatura enxuta, conhecida como lean manufacturing.
A mudança permitiu reorganizar o fluxo de materiais, reduzir gargalos e melhorar as condições ergonômicas dos postos de trabalho.
A digitalização passou a ser outra frente da operação. A fábrica adotou sistemas MES (Manufacturing Execution System), que permitem controlar a montagem e ampliar a rastreabilidade dos diferenciais.
Também foram implantadas plataformas para coleta e monitoramento de dados industriais em tempo real, além de sistemas para acompanhar torques e curvas de aperto durante a montagem.
A inteligência artificial passou a ser utilizada na manutenção preditiva. A fábrica instalou 60 sensores de temperatura e vibração para identificar possíveis falhas nos equipamentos.
De acordo com a Cummins, o sistema já produziu 203 alertas preventivos e evitou mais de 42 horas de paradas de linha.
Fábrica de Osasco amplia uso de energia renovável
A modernização também envolveu medidas de eficiência energética e redução do impacto ambiental da operação.Uma das iniciativas foi a substituição gradual das empilhadeiras movidas a GLP por equipamentos elétricos com baterias de íons de lítio.
A fábrica também modernizou o sistema de ar comprimido utilizado nos processos industriais. Segundo a empresa, a mudança reduziu em cerca de 13% o consumo de energia elétrica.Outro projeto foi a instalação de um Building Management System (BMS), sistema que permite acompanhar em tempo real o consumo de energia, água, gás e outras utilidades da planta.
A unidade também recebeu um sistema de geração de energia solar. Os painéis fotovoltaicos produzem aproximadamente 8 mil kWh por mês, volume suficiente, segundo a companhia, para atender ao prédio administrativo.As medidas fazem parte da estratégia global de sustentabilidade da Cummins, denominada Destino ao Zero, voltada à redução dos impactos ambientais das operações e dos produtos da empresa.
Inteligência artificial é usada para aumentar a segurança
A tecnologia também passou a ser empregada na segurança dos trabalhadores. A unidade instalou 62 câmeras com inteligência artificial para monitorar a movimentação de pessoas e equipamentos.
Os sistemas conseguem identificar situações de risco de colisão, detectar pessoas em áreas críticas e reduzir automaticamente a velocidade de equipamentos de movimentação. Em situações consideradas mais graves, a tecnologia pode interromper a operação.
A Cummins também ampliou o uso de ferramentas digitais para análises ergonômicas. Por meio do programa HumanTech, a empresa passou a realizar avaliações quantitativas dos postos de trabalho. O número de postos analisados aumentou de 12, em janeiro de 2025, para 607 em maio de 2026.
Outra frente foi o programa Hand Safety, voltado à prevenção de acidentes envolvendo as mãos. Segundo a empresa, 100% dos postos de trabalho da unidade passaram por análise de risco.
A fábrica também realizou adaptações de infraestrutura para ampliar a acessibilidade e a autonomia de colaboradores e visitantes.
Sete décadas de produção de eixos
Para Assanti, os 70 anos da operação representam não apenas um marco histórico, mas também uma oportunidade para preparar a fábrica para os próximos ciclos da indústria automotiva.
“Tecnologias mudaram, processos evoluíram e produtos se transformaram, mas o compromisso com as pessoas permaneceu no centro de tudo o que fazemos”, afirma o executivo.
A operação de Osasco integra a trajetória centenária da Cummins, empresa que atua globalmente nos segmentos de motores, componentes e soluções de energia. No Brasil, a fábrica de eixos acompanha a evolução do mercado de veículos comerciais e busca ampliar sua capacidade para atender às novas demandas da indústria.
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