A VLI passou a receber diretamente em seus terminais cargas agrícolas comercializadas na modalidade CIF (Cost, Insurance and Freight), eliminando um entrave operacional que dificultava a integração entre o transporte rodoviário e a ferrovia. A iniciativa, apoiada por uma plataforma digital desenvolvida pela companhia, já movimentou mais de 280 mil toneladas de soja e milho no primeiro semestre deste ano.
Até então, produtores e clientes enfrentavam dificuldades relacionadas à documentação fiscal e operacional para entregar cargas negociadas nessa modalidade diretamente nos terminais ferroviários. Em muitos casos, os embarques seguiam integralmente por rodovia até os portos, reduzindo a utilização da ferrovia no escoamento da produção.
Segundo a VLI, o sistema digital, denominado CargoCIF, automatiza a troca de documentos entre produtores rurais, clientes e operadores logísticos, permitindo que as cargas sejam recebidas diretamente nos terminais da companhia com rastreabilidade e conformidade fiscal.
Expansão da multimodalidade
De acordo com Gabriel Fonseca, gerente-geral de Grãos da VLI, a solução reduz etapas burocráticas e amplia o acesso dos embarcadores à malha ferroviária. “Ao conectar, de forma simples, segura e integrada, o produtor à malha ferroviária, eliminamos etapas burocráticas, reduzimos custos logísticos e ampliamos a competitividade das operações”, afirma.
A ferramenta está em operação com 12 clientes e, entre janeiro e junho, movimentou mais de 280 mil toneladas de grãos. A expectativa da companhia é disponibilizar o sistema em todos os seus Terminais Integradores de grãos até o fim de 2026.
O projeto foi desenvolvido dentro do programa de intraempreendedorismo da empresa. Segundo Juliano Cota, coordenador do CargoCIF, o objetivo foi criar uma solução capaz de atender às exigências fiscais da modalidade CIF sem comprometer a eficiência operacional. “Assumimos o desafio de criar uma alternativa confiável, rastreável, automatizada e em conformidade com as regras fiscais para o recebimento de cargas em grande escala”, diz.
A iniciativa acompanha o movimento do setor de ampliar a participação da ferrovia no transporte de commodities agrícolas, reduzindo a dependência do modal rodoviário nos principais corredores de exportação. A VLI afirma que a plataforma também contribui para aumentar a previsibilidade das operações e facilitar a migração de cargas para o sistema multimodal.
A companhia opera as ferrovias Norte-Sul e Centro-Atlântica, além de uma rede de terminais intermodais e portos que conectam as principais regiões produtoras de grãos aos corredores de exportação.
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