Roubo de medicamentos dispara na Região Sudeste

Rio concentra 44% dos prejuízos nacionais com cargas roubadas no início de 2026

Redação

O roubo de cargas voltou a pressionar as custos logísticos no Brasil no início de 2026, com avanço das perdas no Sudeste e mudança no perfil das mercadorias visadas pelas quadrilhas. Dados da Nstech, empresa brasileira de tecnologia para supply chain, logística e transporte de cargas, mostram que a região concentrou 78,2% dos prejuízos registrados no país no primeiro trimestre, ante 61% no mesmo período do ano passado.

O principal foco das ocorrências voltou a ser o Rio de Janeiro, responsável sozinho por 44% das perdas financeiras nacionais ligadas ao roubo de cargas entre janeiro e março. Um ano antes, o estado representava 16,4% dos prejuízos registrados no país.

Além da concentração geográfica, o levantamento aponta uma mudança importante no perfil das cargas roubadas. Medicamentos passaram a ocupar espaço crescente nas ações criminosas, refletindo a busca por produtos de maior valor agregado e liquidez no mercado ilegal.

As perdas envolvendo produtos farmacêuticos saltaram de 1,7% no primeiro trimestre de 2025 para 22,3% no mesmo período deste ano. Segundo o estudo, 40,4% dos prejuízos registrados no trimestre envolveram cargas avaliadas em mais de R$ 1 milhão. Dentro desse grupo, quase metade estava ligada ao setor farmacêutico.

Na avaliação de Lilian Vaz, head de Segmento Comercial e especialista em logística de valores e transporte de cargas especiais do Grupo IBL, especializado em logística de cargas de alto valor agregado, transporte de valores e gerenciamento de risco, o cenário elevou o peso da segurança dentro das operações logísticas.

“Quando falamos de medicamentos de alto custo e produtos altamente visados pelo crime, como canetas emagrecedoras, não estamos falando apenas de transporte. Estamos falando de inteligência logística, proteção da cadeia de abastecimento e preservação da continuidade de tratamentos e operações extremamente sensíveis”, afirma.

Segundo a executiva, falhas como ausência de monitoramento, travas inadequadas e baixa qualificação operacional ampliam a vulnerabilidade das cargas de alto valor.

O aumento da sofisticação das quadrilhas acelerou investimentos em monitoramento, telemetria, rastreamento e gerenciamento de risco. Empresas especializadas passaram a ampliar operações com veículos blindados, sensores IoT, geolocalização e sistemas de bloqueio remoto.

“A recorrência de ataques nas principais rotas do país evidencia a necessidade de planejamento logístico com uso de tecnologias embarcadas, roteirização inteligente e escolta especializada, principalmente em operações que envolvem cargas de alto valor”, diz Lilian Vaz.

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