A falta de uma tag no para-brisa deixou de ser um impedimento para o uso do vale-pedágio obrigatório nas rodovias que aceitam a identificação pela placa. Com o pagamento vinculado à viagem, câmeras reconhecem o caminhão e o sistema registra a passagem. Para o motorista, a alternativa dispensa a instalação do dispositivo; para a transportadora, facilita a contratação de veículos sem tag e o controle das despesas com pedágio.
A modalidade ganha espaço com a expansão do free flow, sistema de cobrança sem cancelas, mas também pode ser utilizada em praças convencionais. Seu alcance depende dos acordos entre as fornecedoras do vale-pedágio e as concessionárias: a leitura da placa, por si só, não garante que o pagamento seja reconhecido em qualquer rodovia.
Em entrevista ao videocast da Transporte Moderno, Felipe Dick, CEO da Roadcard, explicou que a solução foi desenvolvida para atender caminhoneiros que não utilizam tag. A empresa teve seu modelo operacional aprovado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em julho de 2025.
A Move Mais também anunciou uma solução por placa, atualmente em testes com algumas empresas, antes da disponibilização comercial. A aprovação de seu modelo pela ANTT ocorreu em fevereiro de 2026.
Leia mais
- Scania Super 11 litros promete economizar até 8%
- Carga aérea cresce 5,1% na América Latina em agosto; combustível pressiona custos
- Volkswagen 11.180 volta à liderança entre os caminhões mais emplacados em setembro
Pedágio pago antes da viagem
O processo começa antes de o caminhão sair para a estrada. Na operação descrita por Dick, a transportadora cadastra origem, destino, número de eixos, placas do conjunto e dados do motorista. Em seguida, disponibiliza o valor necessário para os pedágios do percurso. “Quando o motorista começa a viagem dele, ele já está com 100% do pedágio creditado”, afirmou o executivo.
Nos pontos integrados ao serviço, câmeras identificam a placa por reconhecimento óptico de caracteres, tecnologia conhecida pela sigla OCR. O sistema consulta a viagem cadastrada e vincula a passagem ao vale-pedágio.
No free flow, esse procedimento evita que o caminhoneiro precise procurar os canais de cada concessionária para quitar as passagens cobertas pelo benefício. O pagamento já foi preparado pelo contratante, desde que o cadastro esteja correto e o percurso seja atendido pela solução.
A plataforma anunciada pela Move Mais prevê contratação pré-paga via Pix, com o saldo associado à placa. Segundo a companhia, o usuário também poderá consultar rota, saldo e registros de passagem.
Opção para o autônomo
A alternativa interessa especialmente às transportadoras que contratam autônomos. Se o caminhão não tiver tag, o vale-pedágio poderá ser disponibilizado pela placa nas rotas habilitadas, sem aguardar a instalação de um dispositivo.
Dick ressalta que a modalidade vai conviver com os meios existentes. “O tag não vai acabar. O tag é uma boa solução”, afirmou. A proposta, segundo ele, é atender também os profissionais que não aderiram ao dispositivo.
A responsabilidade pelo pagamento permanece com quem contrata o transporte. Nas operações sujeitas à antecipação, o vale-pedágio deve ser disponibilizado até o embarque, por uma fornecedora habilitada pela ANTT, separado do valor do frete e em montante suficiente para o percurso contratado.
Para o caminhoneiro, essa distinção é importante: a adoção de uma nova tecnologia não transfere a ele a obrigação de custear os pedágios que cabem ao contratante.
Menos trabalho na conferência
Na administração da frota, a vantagem está em reunir os registros de pagamento e passagem por veículo e viagem. Com essas informações, o gestor pode comparar as despesas previstas com as cobranças realizadas e verificar eventuais divergências.
O ganho administrativo depende dos recursos de cada plataforma e de sua integração aos sistemas da transportadora. Quando os dados ficam disponíveis em um mesmo ambiente, a conferência pode exigir menos consultas e comprovantes separados.
“O próximo avanço está em tornar a gestão mais simples”, afirma Mauro Telles, diretor executivo de Novos Negócios da Move Mais, em nota. Segundo ele, o objetivo é levar a digitalização do pedágio também aos processos de quem administra a frota.
A ANTT aponta que a integração dos registros eletrônicos de pagamento e passagem também facilita o acompanhamento das operações e a fiscalização do benefício.
Onde o serviço funciona
A cobertura ainda condiciona a adoção do vale-pedágio por placa. Ao aprovar o modelo da Roadcard, a ANTT vinculou sua implantação a contratos com concessionárias e a um cronograma de adoção da leitura de placas nas praças. A Move Mais também negocia a expansão da rede, mas não detalhou, no material divulgado, as rodovias atendidas, os preços ou a data de início da oferta comercial.
No free flow, a circulação sem paradas decorre da ausência de cancelas. O vale-pedágio por placa permite utilizar o benefício nesse ambiente sem depender da tag, com o pagamento preparado antes da viagem.
Para quem contrata o transporte, a primeira providência é verificar se o serviço cobre os pedágios do trajeto. Também é necessário conferir as placas, a categoria do veículo e o valor disponibilizado. Com essas condições atendidas, o caminhoneiro inicia a viagem com o pagamento organizado, enquanto a transportadora acompanha as passagens pelo sistema.
Ao reunir os registros por veículo e percurso, a tecnologia pode reduzir conferências manuais e facilitar a identificação de cobranças divergentes. A ampliação da cobertura e a integração desses dados aos sistemas das transportadoras podem tornar o controle das despesas com pedágio mais eficiente e preciso.
Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedIn, Instagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno



