A safra brasileira de grãos 2025/26 deve alcançar o recorde de 361,7 milhões de toneladas, aumentando a demanda sobre portos, armazenagem e corredores utilizados para transportar a produção até os mercados consumidores. O volume representa crescimento de 2,6% sobre a temporada anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A soja responde por praticamente metade desse volume. A produção está estimada em 180,4 milhões de toneladas, também recorde, enquanto as exportações devem alcançar 116,2 milhões de toneladas.
Os números reforçam o desafio de ampliar a capacidade logística no mesmo ritmo da produção agrícola, principalmente nos corredores que conectam as regiões produtoras aos terminais portuários.
A relação entre o avanço da safra e a necessidade de novos investimentos em infraestrutura foi destacada inicialmente em reportagem da agência chilena MundoMarítimo.
Marcos Borin, fundador e CEO da empresa de engenharia CTC Infra, afirmou que o crescimento continuado da produção pode impulsionar novos projetos e antecipar ampliações de capacidade antes que os volumes adicionais pressionem a infraestrutura existente.
Portos ampliam capacidade
Entre os investimentos diretamente relacionados ao escoamento de granéis está o MCP01, no Porto de Santana (AP). O terminal foi leiloado em fevereiro deste ano e prevê cerca de R$ 150 milhões em investimentos ao longo dos 25 anos de contrato.
Com área de 30,5 mil metros quadrados e capacidade dinâmica anual estimada em 1,2 milhão de toneladas, o terminal será destinado à movimentação e armazenagem de granéis sólidos vegetais, como soja e milho.
O projeto prevê pavimentação, drenagem, reforço do píer e instalação de um carregador de navios com capacidade de 1,5 mil toneladas por hora, além da aquisição de novos equipamentos. As intervenções também deverão permitir a operação de embarcações maiores.
Localizado no Amapá, o Porto de Santana integra a estrutura logística utilizada para o escoamento de grãos pelo Arco Norte.
O avanço da produção agrícola amplia a necessidade de investimentos não apenas nos terminais portuários, mas também nos acessos rodoviários, ferroviários e hidroviários e na capacidade de armazenagem ao longo dos corredores de exportação.
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