23% dos caminhoneiros autônomos pensam em deixar a profissão. O percentual faz parte de uma pesquisa da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), retomada em setembro pelo Ilos.
O levantamento mostra ainda que outros 59% não se sentem valorizados, embora pretendam continuar na atividade. Somados, são 82% dos entrevistados insatisfeitos com o reconhecimento profissional.
O resultado chama atenção pelo peso dos autônomos no transporte de cargas. Em 2025, a categoria movimentou 204,6 milhões de toneladas e realizou 13,9 milhões de viagens, segundo outro levantamento da CNTA, baseado em documentos fiscais disponibilizados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Ao fim do ano, os autônomos representavam 73,27% dos transportadores registrados no país e detinham 32,56% da frota cadastrada, conforme a agência reguladora.

A pesquisa sobre a profissão ouviu presencialmente 2.002 autônomos cadastrados no RNTRC entre junho e agosto de 2025, em 11 unidades da federação. Os 23% expressam uma intenção declarada: o estudo não mede quantos motoristas efetivamente deixaram de transportar cargas.
Espera reduz tempo disponível para viajar
As condições de operação ajudam a entender a insatisfação. Entre os entrevistados, 46,1% afirmaram esperar mais de cinco horas para carregar ou descarregar o caminhão, e mais de 90% disseram não receber pelo tempo de estadia. A jornada relatada é, em média, de 14 horas por dia, com 16 dias por mês longe da família.
Para o motorista, o período parado afeta a remuneração e limita a possibilidade de aceitar outra carga. Para quem contrata o transporte, também pode reduzir a disponibilidade de veículos, sobretudo nos momentos de maior demanda.
O Ilos avalia que uma eventual diminuição da oferta de autônomos tenderia a pressionar o frete e a prejudicar a previsibilidade das operações. Esse efeito, porém, é uma projeção da consultoria, não uma consequência já constatada pelo levantamento.
Entrada na atividade ocorre mais tarde
A renovação da categoria acrescenta outra dimensão ao problema. A idade média dos autônomos ouvidos pela CNTA é de 46 anos, e 34% têm pelo menos 50. Entre os entrevistados com filhos, 86% afirmaram que nenhum deles pretende seguir a profissão.
Isso não significa ausência de novos profissionais. Em estudo posterior, a CNTA identificou 51.024 novos registros de transportadores autônomos em 2025, o segundo maior número anual desde a exigência do RNTRC. A idade média de quem se cadastrou foi de 42 anos. O dado mostra entrada na atividade, mas, por si só, não informa o saldo entre motoristas que começaram a transportar e aqueles que saíram do mercado.
Para embarcadores e transportadoras que recorrem a autônomos, a pesquisa aponta um desafio que vai além de encontrar caminhões disponíveis: manter os profissionais na atividade. Reduzir o tempo improdutivo nas operações e cumprir o pagamento da estadia são questões diretamente ligadas à rotina que os próprios motoristas descreveram à CNTA.
Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedIn, Instagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno



