O mercado brasileiro de implementos rodoviários pode crescer, em média, cerca de 6% ao ano até 2030, segundo projeção da Redirection International, consultoria especializada em fusões e aquisições. A estimativa considera a renovação da frota de caminhões, a demanda do agronegócio, os investimentos em infraestrutura e a possibilidade de redução dos juros. Por enquanto, os emplacamentos seguem abaixo dos registrados em 2025, embora a queda tenha diminuído nos últimos meses.
Entre janeiro e agosto, foram emplacados 95.513 implementos, ante 98.203 no mesmo período do ano passado, retração de 2,7%, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (ANFIR). No primeiro trimestre, a diferença chegava a 13,7%. A recuperação, porém, não foi uniforme entre as linhas de produtos.
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Pesados puxam a reação
Como mostrou reportagem da Agência Transporte Moderno, os reboques e semirreboques encerraram agosto próximos do volume de 2025: foram 46.959 unidades, queda de 1,6% na comparação anual. Os graneleiros e implementos de carga seca cresceram 5,8%, para 8.940 unidades, enquanto os basculantes avançaram 3,7%, para 8.249. Já as carrocerias sobre chassis ainda acumulavam retração de 3,8%.
A melhora dos pesados é um dos sinais considerados pela Redirection em sua projeção, mas o desempenho recente não assegura crescimento nos próximos anos. Na avaliação de José Carlos Spricigo, presidente da ANFIR, o programa Move Brasil ajudou a destravar compras represadas pelo custo do crédito. Parte dos negócios, entretanto, pode ter sido antecipada, o que deixa em aberto o ritmo dos pedidos após o fim do estímulo.
“A safra 2025/26 foi estimada em 360,8 milhões de toneladas, alta de 2,4%, e a frota nacional de 2,28 milhões de caminhões tem idade média de 12 anos e 3 meses, acumulando demanda potencial por renovação”, afirma Adam Patterson, economista e sócio da Redirection International. Para ele, a redução do custo do crédito também pode favorecer novos pedidos.
Consolidação avança entre fornecedores
A consultoria vê na retomada gradual do mercado uma oportunidade para fusões e aquisições. Segundo seu levantamento, os cinco maiores fabricantes concentram cerca de 73% dos emplacamentos de implementos. Nas áreas de componentes, acessórios, amarração, elevação e produtos especializados, a oferta é mais pulverizada.
“A consolidação tende a ocorrer principalmente na cadeia de fornecimento, e não entre os líderes”, diz Patterson. De acordo com o executivo, fabricantes podem buscar aquisições para ampliar o portfólio, incorporar etapas de produção e ganhar presença no mercado de reposição. Grupos internacionais e investidores financeiros também estariam avaliando empresas de médio porte como plataformas de expansão.
O interesse apontado pela Redirection ainda é uma perspectiva de mercado: a consultoria não informou, no material divulgado, o número de operações em negociação ou o valor de transações previstas. Para os fabricantes, o teste mais imediato será a sustentação da recuperação dos emplacamentos no último quadrimestre, sobretudo se as condições de financiamento voltarem a restringir as compras.
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