DAF quer ampliar vocacionais semipesados e alcançar portfólio completo até 2028

Estratégia inclui construção, mineração e setor florestal, com estruturas dedicadas dentro das operações de clientes

Aline Feltrin, de Hannover, Alemanha

A DAF Trucks pretende ampliar sua participação no mercado brasileiro de caminhões vocacionais com a expansão do portfólio de modelos semipesados e o fortalecimento da atuação diretamente nas operações dos clientes. Segundo Luiz Carlos Gambim, diretor comercial da DAF, a montadora considera que já está próxima da Scania nesse segmento e trabalha para reduzir a diferença de oferta em relação à Volvo nos próximos dois anos.

“Estamos muito próximos da Scania. A Volvo talvez tenha um portfólio maior”, afirmou Gambim durante entrevista a jornalistas especializados na IAA Transportation 2026. Segundo o executivo, a expectativa é que a DAF tenha resolvido a questão da variedade de produtos em vocacionais semipesados até 2028.

O movimento amplia o foco da montadora em um mercado que, na avaliação de Gambim, ainda oferece espaço para crescimento. A DAF já tem uma participação de aproximadamente 13,5% a 14% no segmento de caminhões rodoviários, principalmente com a linha XF, e agora busca aumentar a presença em aplicações específicas.

Como parte dessa estratégia, a DAF apresentou nesta semana o CF 6×4 Construção Betoneira, desenvolvido para operações do setor de construção. O projeto foi desenvolvido em parceria com a Bennter, empresa gaúcha de fornecimento de argamassa e concreto usinado, a partir do acompanhamento do caminhão em condições reais de operação. A empresa já adquiriu três unidades do modelo, que recebeu ajustes para atender às características da aplicação.

Os vocacionais representam uma oportunidade diferente dos caminhões destinados ao transporte rodoviário de longa distância. Nesses mercados, a relação da montadora com o cliente tende a ser mais próxima da operação. Em vez de apenas fornecer o veículo por meio da rede, a DAF também passa a estruturar operações dentro das empresas. “Você vai para dentro da casa do cliente”, disse Gambim.

A DAF já mantém operações desse tipo em diferentes segmentos. Na mineração, a montadora tem uma estrutura dentro da TSL. Também há operações em usinas no interior de São Paulo e em empresas do setor madeireiro, com estruturas em Telêmaco Borba (PR), Três Lagoas (MS) e no Maranhão.

A estratégia acompanha uma característica dos vocacionais: as especificações do caminhão variam de acordo com a aplicação, o tipo de carga, o terreno e a operação. Por isso, a presença técnica e comercial dentro do cliente ganha importância na venda e no pós-venda.

Madeira puxa caminhões de maior potência

O setor florestal é um dos mercados em que a DAF vê espaço para os caminhões de maior potência. Segundo Gambim, o XF 530 é tradicionalmente forte nesse segmento para a montadora. A necessidade de transportar madeira por distâncias maiores também vem alterando as características das operações. Gambim relaciona esse movimento à expansão das áreas de produção florestal e à necessidade de manter as fazendas mais afastadas de determinadas regiões por questões ambientais.

Nesse cenário, caminhões de maior potência ganham espaço para atender às combinações de peso e distância características do transporte florestal.

Na linha da DAF, o motor de 7 litros concentra a oferta destinada aos vocacionais semipesados. O mercado, porém, é dividido entre veículos equipados com motores de diferentes capacidades, incluindo modelos de 5 litros utilizados em aplicações mais leves.

Essa diferença ajuda a explicar a disputa por espaço no segmento. Enquanto parte dos concorrentes oferece caminhões vocacionais mais leves, inclusive configurações 4×2 voltadas à distribuição, a DAF concentra sua oferta em veículos de maior capacidade dentro da faixa de atuação dos semipesados.

Rede acompanha expansão

A expansão do portfólio também será acompanhada pelo crescimento da rede. A DAF deve encerrar o ano com aproximadamente 78 pontos, ante 74 atualmente, segundo Gambim. O ritmo de abertura foi mais moderado neste ano, mas a empresa mantém o plano de ampliar a cobertura nos próximos anos.

O executivo estima que uma rede entre 100 e 105 unidades seja suficiente para atender os dois segmentos em que a DAF atua. O número, segundo ele, é próximo ao das principais concorrentes.

Para os vocacionais, entretanto, a cobertura não depende apenas da quantidade de concessionárias. A estratégia envolve também estruturas dedicadas dentro das operações dos clientes, especialmente em atividades como mineração, madeira e produção industrial.

Com a ampliação do portfólio prevista até 2028, a DAF pretende transformar essa presença em uma frente maior de crescimento no mercado brasileiro de caminhões.

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