O setor de logística no Brasil abriu mais de 168 mil empresas no primeiro trimestre de 2026, alta de 62% na comparação anual, segundo levantamento da EmpresAqui. Com isso, o segmento supera 1,5 milhão de CNPJs ativos, em um movimento que combina expansão acelerada e forte pulverização da base.
O avanço é impulsionado principalmente pelo e-commerce e pela demanda por entregas urbanas. Microempreendedores individuais (MEIs) respondem por 74% das empresas ativas e por 96% das aberturas no período, indicando baixa barreira de entrada e predominância de operações de pequeno porte.
Crescimento concentrado no last mile
A expansão, entretanto, não é homogênea. Os dados mostram maior concentração em atividades como transporte rodoviário municipal, entregas rápidas e serviços de malote, que cresceram 194% nas aberturas recentes.
O movimento está associado à reorganização da logística urbana e à abertura de espaço deixada por limitações operacionais dos Correios, além da digitalização de pequenos operadores. Na prática, o crescimento reflete a intensificação do last mile, enquanto segmentos mais estruturados da logística avançam em ritmo mais moderado.
Mais empresas, mesma infraestrutura
O aumento do número de operadores ocorre sem a equivalente expansão da infraestrutura logística. Dados da Confederação Nacional do Transporte indicam que o transporte rodoviário segue concentrando a maior parte da movimentação de cargas no país, pressionando corredores já saturados.
Nesse contexto, o crescimento de CNPJs não representa, necessariamente, ganho proporcional de capacidade estruturada, mas sim maior fragmentação e competição no setor — especialmente em nichos de menor barreira de entrada.
A entrada de novos operadores tende a aumentar a oferta de serviços, pressionando preços de frete, sobretudo em operações urbanas e de carga fracionada. Ao mesmo tempo, a predominância de empresas enquadradas no Simples Nacional — mais de 85% do total — indica baixa complexidade operacional e limitações de escala, investimento e adoção tecnológica.
Alta mortalidade expõe fragilidade
Apesar do crescimento, a taxa de mortalidade permanece elevada. Cerca de 41% das empresas abertas em 2024 já encerraram as atividades, percentual acima da média nacional apurada pelo IBGE.
O dado sugere um ambiente competitivo e de margens apertadas, em que muitos novos entrantes não conseguem sustentar operações no médio prazo. O cenário aponta para um setor em expansão, mas ainda marcado por baixa maturidade e elevada rotatividade, com desafios para consolidar ganhos de eficiência e produtividade em meio ao aumento da concorrência.
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