Diesel B pode atingir 70,8 milhões de m³ em 2026; importações seguem elevadas e pressionam logística

Safra maior de soja e aumento do transporte de grãos impulsionam consumo; diesel é principal insumo do transporte rodoviário de cargas

Redação

A demanda por diesel B no Brasil pode alcançar 70,8 milhões de metros cúbicos em 2026, alta de 1,9% sobre 2025, segundo revisão da consultoria StoneX. A projeção está diretamente associada à expectativa de safra agrícola mais robusta e ao aumento do fluxo de veículos pesados nas principais rotas de escoamento.

O diesel é o principal insumo do transporte rodoviário de cargas — modal responsável por mais de 60% da movimentação de mercadorias no país — e qualquer variação na demanda ou na dependência de importações tem impacto direto sobre custos logísticos e formação de frete.

“A elevação das estimativas de safra, especialmente de soja, sustenta um maior fluxo de transporte de grãos no país e, consequentemente, um consumo mais elevado de diesel B em 2026”, afirma Bruno Cordeiro, especialista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Regionalmente, o maior avanço deve ocorrer no Sul, com recuperação das safras de soja e milho, e no Sudeste, impulsionado por exportações dos setores agrícola, industrial e extrativista. O Centro-Oeste pode registrar crescimento mais moderado.

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Importações seguem elevadas

No cenário base, com manutenção do B15 ao longo do ano, a demanda por diesel A deve atingir 60,4 milhões de m³, exigindo importações de 17,8 milhões de m³ — o maior volume da série histórica, segundo a StoneX. Mesmo com leve avanço da produção nacional, as importações devem representar entre 29% e 29,3% da oferta total.

Esse nível de dependência mantém o setor de transporte exposto à volatilidade internacional de preços e ao câmbio, fatores que influenciam diretamente o custo operacional das transportadoras.

“A depender da evolução do mandato de biodiesel ao longo do ano, podemos observar diferenças relevantes na demanda por diesel A e no volume a ser importado”, explica Cordeiro.

Biodiesel pode aliviar pressão

Caso o percentual obrigatório de mistura avance para B16 no segundo semestre, a demanda por diesel fóssil pode recuar para 59,9 milhões de m³, reduzindo marginalmente o volume a ser importado. Nesse cenário, o consumo de biodiesel pode superar 10,7 milhões de m³, novo recorde da série.

Segundo Isabela Garcia, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o desempenho dependerá das definições do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). “Trabalhamos com diferentes cenários porque ainda há incertezas sobre o cronograma de elevação da mistura”, afirma.

Em 2025, as vendas de diesel B totalizaram 69,4 milhões de m³, alta de 3%, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O avanço foi sustentado pelo crescimento da atividade agrícola e industrial, ampliando o tráfego de veículos pesados nas rodovias.

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