Se a ideia de tubarões voando parece estranha, ela é justamente o segredo por trás de uma das tecnologias mais curiosas hoje em uso na aviação comercial. Inspirada na pele desses animais, a solução chamada AeroSHARK está ajudando a Latam Airlines a reduzir o consumo de combustível e as emissões de CO₂, sem exigir mudanças em motores, asas ou sistemas eletrônicos das aeronaves.
A Latam foi a primeira companhia aérea fora do Grupo Lufthansa a adotar essa tecnologia e agora decidiu ampliar seu uso. A empresa vai equipar toda a frota de Boeing 777-300ER com o revestimento desenvolvido pela Lufthansa Technik em parceria com a BASF Coatings. Até o fim de 2025, metade das aeronaves já estará modificada, e a conclusão do projeto está prevista para 2027.
A inspiração vem diretamente da natureza. Diferentemente do que parece, a pele do tubarão não é lisa. Ela possui microestruturas que reduzem o atrito com a água e permitem que o animal se mova com maior eficiência. O AeroSHARK replica esse princípio ao aplicar um revestimento com pequenas escamas longitudinais, de cerca de 50 micrômetros, posicionadas exatamente na direção do fluxo de ar, reduzindo a resistência aerodinâmica durante o voo.
Redução de 1% no consumo de combustível
Nos Boeing 777-300ER da Latam, o material cobre quase toda a fuselagem e as naceles dos motores, totalizando aproximadamente 950 metros quadrados por aeronave. O efeito prático é uma redução comprovada de cerca de 1% no consumo de combustível e nas emissões de dióxido de carbono.
Antes de anunciar a novidade ao mercado, a Latam optou por testar a tecnologia de forma discreta. Em dezembro de 2023, uma aeronave foi modificada quase em segredo para uma fase de testes intensivos. Após quase um ano de operação diária, os resultados confirmaram as estimativas iniciais, levando a companhia a ampliar gradualmente o número de aeronaves equipadas.
Com a frota totalmente modificada, a expectativa é de uma economia anual de até 4 mil toneladas de combustível de aviação e uma redução de aproximadamente 12 mil toneladas de emissões de CO₂. Esse volume equivale, em termos práticos, a cerca de 56 voos entre São Paulo e Miami operados por um Boeing 777.
Inovação, eficiência e sustentabilidade
Segundo Nicolás Seitz, head de Frota e Projetos do Lata, Airlines Group, a decisão de expandir o uso do AeroSHARK reflete a combinação entre inovação, eficiência operacional e sustentabilidade. Para o executivo, os resultados obtidos com a primeira aeronave deram segurança para escalar a solução mantendo os mais altos padrões operacionais.
Com a conclusão do projeto, a Latam se tornará a segunda companhia aérea do mundo a operar uma subfrota completa equipada com tecnologia inspirada na pele de tubarão. Para Petra Lahme, diretora de vendas de produtos da área de inovação em equipamentos originais da Lufthansa Technik, a iniciativa reforça mostra como soluções baseadas na natureza podem gerar ganhos concretos para a aviação.
Aplicação em outras aeronaves
O desenvolvimento do AeroSHARK, no entanto, não se limita ao Boeing 777. A Lufthansa Technik e a BASF trabalham para ampliar as certificações da tecnologia para outros modelos de aeronaves. Além das versões atuais do 777 e do 747-400, está prevista para 2026 a primeira aplicação em um modelo da Airbus, o A330ceo.
Em fases futuras, os desenvolvedores também estudam ampliar as áreas da aeronave que podem receber o revestimento. Os cálculos iniciais indicam que, com uma cobertura maior, a economia realista de combustível pode alcançar entre 2% e 3%, reforçando o papel da biomimética como uma aliada da eficiência e da sustentabilidade no transporte aéreo.
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