A Iveco fechou a venda de 55 caminhões S-Way para a Reiter Log, uma das principais operadoras logísticas do país. Do total negociado, 15 unidades são movidas a gás natural e biometano, enquanto as demais utilizam motor a diesel Euro VI. A operação reforça a aposta da montadora em soluções multienergéticas, mas também evidencia os desafios para a expansão do gás no mercado brasileiro.
A entrega simbólica dos veículos ocorreu nesta terça-feira (3), na unidade da Reiter Log em Nova Santa Rita (RS). Com a nova aquisição, a Reiter Log passa a operar cerca de 305 caminhões a gás, consolidando a maior frota do tipo em atividade no Brasil.
Segundo Marcio Querichelli, presidente da Iveco para a América Latina, a negociação mostra que a descarbonização já deixou de ser um discurso de longo prazo. “O investimento da Reiter Log demonstra que existem soluções viáveis, escaláveis e maduras para reduzir emissões sem comprometer a eficiência operacional”, afirma.
Os caminhões S-Way NG adquiridos utilizam motor FPT Cursor 13, de 460 cavalos e contam com capacidade de até 960 litros de combustível, o que garante maior autonomia para operações rodoviárias e de longa distância. Quando abastecido com biometano, o modelo pode reduzir as emissões de CO₂ em até 95% no conceito “do poço à roda”, podendo chegar a balanço negativo de carbono, a depender da origem do combustível.
Para a Reiter Log, o avanço da frota sustentável está diretamente ligado à estratégia corporativa de ESG. “A ampliação do uso de caminhões a gás e biometano representa um passo concreto na descarbonização das nossas operações, sem abrir mão de robustez, desempenho e TCO competitivo”, afirma Vanessa Reiter Pilz, vice-presidente de ESG da empresa. A transportadora estruturou sua área de sustentabilidade em 2021 e oferece aos clientes a chamada Logística Verde, focada na redução da pegada de carbono.
Limitações do gás no Brasil
Apesar do avanço pontual, a própria Iveco reconhece que o gás ainda enfrenta limitações no Brasil. A ausência de corredores estruturados de abastecimento e a incerteza sobre valor de revenda dos veículos dificultam a expansão em escala. “Hoje, quem está fazendo volume em gás no Brasil acaba subsidiando o veículo. O ciclo completo do produto ainda não existe”, avaliou Querichelli em entrevista recente ao portal Transporte Moderno.
O executivo disse ainda que na Argentina, o cenário é diferente — e mais favorável à estratégia da Iveco. Impulsionado pela reserva de Vaca Muerta e pela expansão da infraestrutura de gás, o país se consolidou como o mercado mais maduro da América Latina para o combustível. A montadora atua com caminhões a gás no mercado argentino desde 2019 e já contabiliza cerca de duas mil unidades em operação. “A Argentina cresceu mais de 50% no ano, tem condições mais favoráveis e é rentável para nós”, afirma Querichelli.
Mesmo com os entraves locais, a Iveco mantém a aposta no conceito de multienergia. Única montadora da América Latina com um portfólio completo de soluções alternativas — que inclui modelos elétricos, a gás e veículos conceito multifuel —, a empresa investe R$ 510 milhões entre 2024 e 2028 em pesquisa e desenvolvimento. A estratégia parte do princípio de oferecer a energia mais adequada a cada tipo de operação, considerando infraestrutura, custo total e metas ambientais dos clientes.
A Iveco soma mais de 50 mil veículos elétricos e a gás em operação na Europa e cerca de 2 mil unidades na América Latina. O desafio agora é transformar avanços pontuais, como a venda para a Reiter Log, em escala — especialmente no mercado brasileiro.
Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedIn, Instagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno



