A JAC Motors, representada no Brasil pelo Grupo SHC, de Sérgio Habib, amplia sua oferta de caminhões elétricos com foco na redução dos custos de aquisição, operação e manutenção. Durante apresentação para jornalistas realizada nesta quarta-feira (4), em São Paulo, a importadora destacou as vantagens econômicas do E-JT 3.5, voltado à distribuição urbana, e lançou o EJT 9.5 ER, nova geração de seu caminhão de 9,5 toneladas, que já acumula 300 unidades vendidas e terá as primeiras entregas previstas para janeiro de 2027.
A importadora busca preservar sua liderança no mercado brasileiro de caminhões elétricos diante da chegada de novos concorrentes, principalmente fabricantes chineses. Entre janeiro e setembro de 2026, a importadora respondeu por 72,1% dos emplacamentos do segmento, segundo dados apresentados pela empresa. Para defender essa participação, aposta na ampliação do portfólio, em preços competitivos e na redução dos custos operacionais, além da estrutura de assistência técnica e reposição de peças.
Segundo Sérgio Habib, presidente do Grupo SHC, a versão anterior do caminhão de 9,5 toneladas registra vendas de aproximadamente 300 unidades por ano. O novo modelo substituirá essa configuração, enquanto o E-JT 3.5 deverá permitir à importadora alcançar um mercado potencialmente maior, formado principalmente por empresas de distribuição urbana e serviços.
“O caminhãozinho tem um mercado muito maior, muito maior que o de nove toneladas e meia”, afirmou Habib durante a coletiva. Segundo ele, o potencial de vendas está relacionado à possibilidade de competir diretamente com as vans a diesel em operações de distribuição urbana, com preço de aquisição inferior ao de alguns modelos concorrentes e dimensões que permitem acessar locais com restrições de altura, como garagens e subsolos de edi
Caminhão de 3,5 toneladas concorre com vans a diesel
Com preço anunciado de R$ 249.900, sem implemento, o E-JT 3.5 é uma das principais apostas da importadora para disputar espaço com vans convencionais. O caminhão tem peso bruto total (PBT) de 3.500 kg, capacidade de carga útil de 1.695 kg e pode receber baús com volumes de 8 a 15 metros cúbicos. A configuração permite que o veículo seja conduzido por motoristas com Carteira Nacional de Habilitação (CNH) da categoria B, ampliando suas possibilidades de utilização em operações urbanas.

Na comparação apresentada pela JAC, o E-JT 3.5 custa menos que versões da Renault Master e da Mercedes-Benz Sprinter utilizadas como referência pela empresa, com preços de lista de R$ 306.390 e R$ 323.700, respectivamente.
A diferença também aparece quando considerado o investimento por metro cúbico de capacidade de transporte. Equipado com baú de 15 metros cúbicos, que acrescenta R$ 20 mil ao preço do caminhão, o E-JT 3.5 representa investimento de R$ 17.993 por metro cúbico. Nas versões de 12 metros cúbicos da Renault Master e da Mercedes-Benz Sprinter consideradas pela importadora, os valores são de R$ 25.533 e R$ 26.975, respectivamente.
O modelo utiliza motor elétrico de 143 cv e torque de 300 Nm, alimentado por bateria CATL de 63,75 kWh. A autonomia declarada é de 230 quilômetros em ciclo urbano, enquanto a velocidade máxima chega a 90 km/h.
Com 5,3 metros de comprimento e 1,75 metro de largura, o caminhão também foi desenvolvido para circular em vias estreitas e locais com restrições de acesso, características importantes para entregas de última milha.
Economia de energia pode chegar a 66%
A redução do custo por quilômetro rodado é um dos principais argumentos comerciais da JAC para atrair transportadoras e operadores logísticos. Em uma simulação apresentada, a empresa calculou que o E-JT 3.5 teria despesa energética de R$ 23,56 a cada 100 quilômetros, considerando consumo de 27,7 kWh e tarifa de eletricidade de R$ 0,85 por kWh.
Para uma van a diesel com consumo de dez litros por 100 quilômetros, a despesa estimada foi de R$ 69,40, utilizando preço de R$ 6,94 por litro. A diferença corresponde a uma economia aproximada de 66% no gasto com energia.
Em uma operação de 150 quilômetros diários, durante 26 dias por mês, a importadora estima economia anual próxima de R$ 21 mil em relação à média dos modelos a diesel considerados no levantamento. Em cinco anos, a diferença acumulada poderia alcançar aproximadamente R$ 105 mil.
Os cálculos elaborados pela própria JAC dependem das condições de utilização, do consumo efetivo dos veículos e dos preços da energia elétrica e do diesel. Além disso, a simulação não inclui todos os componentes do custo total de propriedade, como financiamento, depreciação e instalação de infraestrutura de recarga.
Outro argumento apresentado pela importadora é o menor custo de manutenção do caminhão elétrico, que pode ser até seis vezes inferior ao de veículos convencionais, segundo a Jac. A diferença é atribuída à menor quantidade de componentes mecânicos e à eliminação de serviços associados aos motores a combustão.
Além disso, a versatilidade é outra característica destacada pela importadora. O EJT 9.5 ER pode receber diferentes tipos de implementos, permitindo sua utilização em operações de distribuição urbana, transporte de cargas secas e entregas de mercadorias que exigem configurações específicas de carroceria. A capacidade de carga útil de 6.510 kg, antes da instalação do implemento, amplia as possibilidades de aplicação do modelo, que pode ser adaptado às necessidades de diferentes setores da economia.
Custos de reparação
Além das despesas com energia e manutenção, a JAC apresentou um levantamento sobre os preços de peças de reposição utilizadas em reparos após colisões dianteiras, traseiras e laterais. Na simulação de uma colisão dianteira, o custo das peças do E-JT 3.5 foi estimado em R$ 23.687,99, ante R$ 43.298,12 para a Renault Master, R$ 53.903,71 para a Fiat Scudo e R$ 70.653,10 para a Ford Transit.
As diferenças são maiores na comparação de colisões traseiras. Segundo o levantamento, as peças necessárias para reparar o caminhão elétrico custariam R$ 2.510,48, enquanto os valores apresentados para Renault Master e Ford Transit alcançam R$ 27.849,51 e R$ 31.026,05, respectivamente.
A importadora atribui parte dessa diferença à arquitetura do caminhão, que não possui portas traseiras integradas à carroceria, como ocorre nas vans. Dependendo da extensão dos danos, a configuração permite substituir um número menor de componentes.
Na simulação de colisão lateral, o custo das peças do E-JT 3.5 foi calculado em R$ 12.491,12, abaixo dos valores apresentados para os três modelos concorrentes.
As comparações consideram componentes selecionados pela própria importadora e não representam necessariamente o custo integral dos reparos, que pode incluir mão de obra, pintura e outros serviços.
EJT 9.5 ER ganha 350 kg de capacidade
Na categoria de maior capacidade, a principal novidade é o EJT 9.5 ER, evolução do caminhão elétrico de 9,5 toneladas comercializado pela JAC no Brasil. O modelo incorpora um conjunto de propulsão elétrica integrado ao eixo traseiro, conhecido como e-Axle, que elimina o eixo cardã e reduz componentes intermediários da transmissão. A mudança permitiu diminuir em aproximadamente 350 kg o peso próprio do veículo, que passou a 2.990 kg.
Com o PBT mantido em 9.500 kg, a capacidade máxima de carga útil alcançou 6.510 kg, antes da instalação da carroceria ou implemento. O ganho é de aproximadamente 5% em relação à geração anterior.
O novo caminhão utiliza motor elétrico de 245 cv e torque máximo de 550 Nm, alimentado por bateria CATL de fosfato de ferro-lítio (LFP), com capacidade de 100,46 kWh.
A autonomia declarada é de 200 quilômetros com o veículo operando no PBT máximo. A recarga pode ser realizada em corrente alternada, com potência de até 11 kW, ou em corrente contínua, com potência máxima de 75 kW. Segundo a ficha técnica, o carregamento de 20% a 100% da bateria leva aproximadamente 1,2 hora em corrente contínua, dependendo das condições de operação.
Entre os equipamentos de segurança e assistência ao motorista estão freios ABS, assistente de partida em rampa, monitoramento da pressão dos pneus, câmeras de visão 360 graus e de ré, sensores de estacionamento e frenagem regenerativa.
A bateria de tração possui garantia de oito anos, enquanto os demais sistemas e componentes têm cobertura de três anos, conforme as condições contratuais informadas pela importadora.
Concorrência deve ampliar oferta de elétricos
A expansão do portfólio ocorre em um mercado que deverá receber novos modelos e fabricantes, especialmente de origem chinesa. Habib reconhece que a concorrência tende a aumentar, mas avalia que a maior disponibilidade de produtos também poderá estimular a demanda.
Na avaliação de Habib, os caminhões elétricos leves e médios apresentam condições mais favoráveis de expansão, especialmente em operações urbanas, nas quais a autonomia e a infraestrutura de recarga podem ser planejadas de acordo com rotas previamente definidas.
Para sustentar sua estratégia comercial, a JAC informa contar com 120 oficinas credenciadas no país, central nacional de peças em São Paulo, com mais de 330 mil itens em estoque, e laboratório especializado em diagnóstico, manutenção e recuperação de baterias de alta tensão.
A importadora também atua na recompra e revenda de caminhões elétricos usados, além da locação de veículos para operadores logísticos. Entre os clientes atendidos por essa estrutura estão empresas que prestam serviços ao Mercado Livre.
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